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Uberaba, 02 de abril de 2020 -

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Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 26/01/2020

Bom dia, leitores do Jornal da Manhã! 

Segundo o Inca, mais de 60 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de mama, no Brasil, todos os anos. Destas, aproximadamente 45 mil têm tumores que são ativados pela ação do estrogênio e/ou progesterona (hormônios da mulher). Por isso, utilizamos como parte do tratamento dessas pacientes drogas antiestrogênicas. O problema é que essas drogas, além de combater o câncer de mama, acabam desencadeando vagina seca, dor pra ter relação, pele seca, fogacho, perdas urinárias, atrofia vaginal, labilidade emocional... Hoje vou falar um pouco do que podemos utilizar de ferramentas para melhorar esses sintomas semelhantes à menopausa e decorrentes do tratamento hormonal contra o câncer de mama.

Para complementar o tratamento do câncer de mama hormônio dependente, utilizamos drogas que bloqueiam a produção do estrogênio pelo corpo da paciente e, assim, levamos a paciente a um quadro de menopausa medicamentosa. A menopausa é o termo que designa a última menstruação, confirmada 12 meses sucessivos sem menstruar, resultante da cessação definitiva da atividade folicular ovariana, sendo parte normal do processo de envelhecimento da mulher e ocasionando sintomas como: distúrbios do sono, atrofia vulvovaginal, sintomas vasomotores, alterações de humor, sintomas depressivos, doenças cardiovasculares, osteopenia e osteoporose.

Para tratar esses sintomas, lançamos mão de terapias hormonais à base de estrogênio e progesterona, com o intuito de ajudar a aliviar esses sintomas. Porém, nas pacientes com câncer de mama, não é recomendado o uso dessas terapias, em especial as administradas por via oral, sendo um grande desafio ao mastologista dar o suporte necessário e adequado a uma grande parcela das sobreviventes de câncer de mama que experimentam esses sintomas decorrentes da deficiência de estrogênio.

Assim, baseado na intensidade e nas queixas de cada paciente, temos algumas medidas que vou citar abaixo:

• Melhorar o estilo de vida (cessação do tabagismo, perda de peso (se indicado), limitação ou restrição de álcool, manutenção de níveis adequados de vitamina D e cálcio, realização de dieta saudável e atividade física regular);

• Terapia comportamental cognitiva, hipnose e acupuntura ajudam no controle de sintomas vasomotores leves;

• Uso de lubrificantes vaginais e hidratantes vaginais;

• Uso de medicamentos farmacológicos não hormonais no controle de sintomas vasomotores moderados e fortes;

• Uso de antidepressivos exercem efeitos benéficos nos sintomas vasomotores e na qualidade de vida;

• O estrogênio vaginal de baixa dose vem sendo cada dia mais utilizado e aceito nos casos de tumores tanto hormônio-dependentes quanto não dependentes. Existem vários estudos não mostrando nenhum incremento nas taxas de recidiva do tumor em pacientes que fizeram uso dessa medicação;

• Uso do DHEA intravaginal e o ospemifene oral para tratar a dispareunia e atrofia vulvovaginal;

•A terapia com laser nas atrofias vulvovaginais.

Então, como vimos nos itens acima, temos muitas medidas que podem melhorar a vida das nossas pacientes com sintomas de menopausa. O que não se pode é achar que é normal uma paciente com câncer de mama ter esses sintomas e não precisar tratar. Temos que oferecer sempre algo a mais para as nossas pacientes. A melhora desses sintomas está diretamente relacionada à melhora no bem-estar, na qualidade de vida, na saúde mental, na sexualidade e no prazer... O que não deixa de ser uma ferramenta importante na prevenção de uma recidiva dessa doença. Afinal, o câncer recidiva, entre outras coisas, devido ao meio tóxico que a paciente persiste em manter.

Um bom domingo a todos!
 

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