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Uberaba, 17 de setembro de 2019 -

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Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 25/08/2019

Bom dia, leitores do Jornal da Manhã!

Com a realidade competitiva que vivemos hoje, as mulheres têm postergado cada dia mais o sonho de ser mãe. Quando olhamos para trás, nossas avós tiveram filhos antes dos 20; nossas mães, antes dos 30, e as mulheres agora estão chegando perto dos 40 anos para ter a primeira gestação.

Isso implica em vários riscos para essa gestante “idosa”. Desde abortos de repetição, partos prematuros, pré-eclampsia, malformações fetais até um maior risco de desenvolver o câncer de mama. Sabemos que a gravidez antes dos 20 anos é um fator protetor para o aparecimento do câncer de mama, assim como a primeira gestação acima dos 30 eleva o risco. Mas essa é a nossa nova realidade e teremos que saber detectar e tratar essas mulheres da melhor forma possível.

Quando diagnosticamos uma gestante com câncer de mama, criamos nessa futura mamãe uma mistura de sentimentos: a alegria de estar gerando uma vida, o medo de ter que realizar um aborto para poder iniciar o tratamento, o risco de causar alguma malformação ao seu filho pela associação da gravidez com o início dos tratamentos, até o medo de morrer e não ver seu filho crescer.

Então, de uma forma bem objetiva, vou esclarecer algumas dúvidas que angustiam essas mulheres com câncer de mama gestacional:

– A chance de cura é a mesma de uma mulher fora da gravidez, quando comparamos casos com o mesmo estadiamento e características imunológicas.
– Geralmente esperamos a mãe completar de 12 a 16 semanas de gestação para iniciarmos o tratamento.
– Raramente há a necessidade de se realizar um aborto terapêutico, salvo nos casos de doenças muito avançadas e gravidezes muito iniciais.
– A cirurgia é totalmente segura na gestação.
– Podemos fazer tanto tratamento cirúrgico conservador quanto radical.
– Hoje, não precisa mais fazer esvaziamento axilar total (retirada de linfonodos em região de axila), já se existem estudos que nos dão segurança para usar fármacos na detecção do linfonodo sentinela.
– Em gestações iniciais, podemos utilizar quimioterápicos no segundo e terceiro trimestre, com risco muito baixo de malformação para o feto.
– Não há mal nenhum em deixar por um período curto de dias a mãe ter a experiência da amamentação.

Hoje, 2,5% dos cânceres de mama ocorrem em mulheres grávidas; não podemos fechar os olhos. Consideramos câncer de mama na gestação os casos diagnosticados até um ano após o nascimento do bebê. O diagnóstico sempre é mais difícil nessas pacientes pelas mudanças que a mama sofre nesse período, em especial no puerpério (período pós-parto), com o risco de confundir uma mastite puerperal (inflamação das glândulas mamárias no período pós-parto) com câncer de mama. Por isso, sempre que uma situação não está dentro do esperado, não hesite em procurar um mastologista.

Um bom domingo a todos!

 

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