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Uberaba, 25 de setembro de 2021 -

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Lídia Prata
Joanna Prata AGRO EM DIA 25/08/2021


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As mudanças na produção agropecuária de Uberaba na última década

A coluna Agro em Dia desta semana é sobre um bate-papo muito agradável que esta colunista teve com uma personalidade, que além de ser admirada, também é grande impulsionadora do setor agropecuário em Uberaba: Luiz Henrique Borges Fernandes. Borginho, como é conhecido por todos, é uma enciclopédia sobre a produção agropecuária de Uberaba, já que está há muitos anos à frente da Cooperativa dos Empresário Rurais do Triângulo Mineiro, a Certrim. Para esta colunista é sempre um prazer poder conversar com seu Luiz, que a cada bate papo sempre acrescenta um novo conhecimento. A conversa desta semana girou em torno das mudanças que a produção agropecuária em Uberaba passou nos últimos dez anos.

Começamos a conversa falando sobre a possibilidade apresentada pelo vice-governador, Paulo Brandt, da transferência do armazém da Casemg (Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais) para o município de Uberaba. Atualmente as tecnologias de armazenamento e escoamento de grãos evoluíram muito. “O tempo hábil de recebimento de grãos é muito rápido e é preciso estar preparado para isso. Ficaram ultrapassados os equipamentos. Os caminhões estão maiores, então logicamente a plataforma de descarga e a balança precisam ser maiores. E o Estado não consegue fazer isso.  Acho muito difícil para o município de Uberaba conseguir reformular a estrutura de lá”, avalia Luiz. O armazém atualmente tem sido usado na estrutura do porto seco, que, para o presidente da Certrim, é algo muito positivo para a cidade.

Luiz Henrique recebe o vice-governador Paulo Brant nos armazens da Certrim 

Nos últimos dez anos, a produção agropecuária de Uberaba mudou muito. O rebanho de gado de corte, que já chegou a 470 mil cabeças, atualmente está em cerca de 160 mil. As áreas de pastagem estão sendo ocupadas por plantações de cana de açúcar, soja e milho principalmente. Para Luiz Henrique, a mudança segue o mercado. “Onde se ganha mais o produtor tende a trabalhar mais", pontuou.  No caso do milho, por exemplo, é possível fazer duas safrinhas anualmente, considerando a possibilidade de ganhos, a pecuária leva muito mais tempo para o gado atingir a idade de abate, quando é chegado o momento do criador receber o retorno do investimento.

Mesmo com a diminuição do rebanho, para Luiz Henrique a pecuária melhorou muito. A tecnologia de pastagem e o confinamento permitem que o rebanho ocupe menos área e a exportação de carne bovina brasileira vive um bom momento. As técnicas desenvolvidas para aumentar a produção seja nas plantações, pecuária, suinocultura e avicultura têm avançado muito nos últimos anos. Trabalhos desenvolvidos tanto pela Embrapa MG quanto pela Epamig permitem que culturas se desenvolvam mais rápido e que o corte também atinja o ponto de abate em menor tempo e menor área. “O mundo inteiro quer comprar o que produzimos aqui", completou Luiz Henrique.




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Há dez anos atrás era impossível imaginar que a produção do trigo na região do Triângulo Mineiro atingiria a proporção atual. Devido ao trabalho feito pela Embrapa MG e a Epamig, que desenvolveram variedades de trigo de sequeiro, bem adaptadas do cerrado, atualmente esta é uma realidade. “Na região do chapadão, onde é mais frio, o trigo está se desenvolvendo muito bem e tem sido uma boa opção para safrinha. O trigo é mais resistente que o milho e a soja e tem chamado a atenção aqui na região”, explicou. Ele lembrou do período que as sementes transgênicas foram liberadas no Brasil, no começo  milênio. “Houve muita discussão entre as pessoas que não sabiam nem o que era”, pontua. 

Outro ponto levantado por Luiz Henrique acerca do trabalho dos pesquisadores é a respeito da produção da soja. Quando a cultura começou no Triângulo Mineiro colhia-se em torno de 20 a 25 sacas por hectare. Atualmente chega até a 90 sacas devido ao desenvolvimento da genética da semente.

A soja e o milho são o composto da ração dos animais que produzem alimentos. Com a alta dos grãos, que acompanham o câmbio do dólar, sobe o custo de produção que vai impactar no preço final que chega ao consumidor. Entre esses produtos está o leite, que é a principal composição dos mais diversos produtos, como manteiga, queijo, entre outros. Luiz Henrique lamenta a diminuição da capacidade de produção de leite em Uberaba, impulsionada principalmente pelo alto custo de produção e a baixa margem de lucro dos produtores. Outro ponto que influenciou a queda de produção do leite, conforme Luiz Henrique, é que a cadeia não foi para o mercado de exportação, que aliado ao alto custo de produção desanimou muitos produtores. Lembramos da saudosa Coopervale, quando Uberaba foi referência na produção de laticínios. Ainda há um movimento de produção de leite em Uberaba, mas já foi melhor.

Poderia ter passado o dia inteiro na "prosa boa” com Luiz Henrique, porém precisamos encerrar a conversa porque ambos precisávamos seguir com nossa agenda de trabalho. E finalizamos a conversa com uma frase de Luiz Henrique sobre a motivação dos produtores rurais, que mesmo diante das dificuldades sejam com o clima ou financeiras seguem na atividade: “É necessário produzir, o dia que não produzir haverá fome”. 


 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.

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