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Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 22/05/2022



Queda de cabelo durante a Quimioterapia

Bom dia, Leitores do Jornal da Manhã. Hoje vamos falar um pouco dos efeitos não desejados da quimioterapia, em especial da alopecia (queda de cabelo). A queda de cabelo, vômitos, escurecimento de unhas e alterações nas sensibilidades das mãos e dos pés são os efeitos colaterais mais frequentes durante um tratamento de quimioterapia.

O cabelo está muito relacionado com a autoimagem e autoestima nas mulheres. Para alguns pacientes, o trauma emocional pode ser tão grave que leva à interrupção ou à recusa da quimioterapia como parte do tratamento do seu câncer. Estima-se que 75% das mulheres vão ter algum grau de queda de cabelos durante a quimioterapia.

Aproximadamente, 80% a 90% dos folículos se encontram na fase de crescimento ativo. Durante este período, as células da matriz estão se dividindo ativamente, resultando em uma taxa de crescimento do cabelo de 0,35mm/dia. Estima-se que o couro cabeludo contenha, em média, 100 mil fios de cabelo, dos quais 100 a 150 são perdidos diariamente como parte do ciclo normal do cabelo.

A quimioterapia citotóxica ataca as células que se dividem rapidamente no corpo, incluindo as células da matriz do cabelo em divisão, causando efeito imediato na liberação e na destruição do folículo em crescimento, em um processo denominado de distrofia do folículo capilar. A queda de cabelo, normalmente, começa em um período de duas a quatro semanas após o início da quimioterapia.

A capacidade dos agentes quimioterápicos em causar a perda de cabelo depende da via, da dose e do calendário de administração do fármaco. Os regimes quimioterápicos intravenosos em altas doses, intermitentes, estão associados a uma alta incidência de alopecia completa; já a baixa dose de terapia, administração oral e regimes semanais é menos propensa a induzir alopecia total ou completa. A alopecia associada à quimioterapia é tipicamente não cicatrizante e, portanto, reversível. Comumente, afeta o cabelo do couro cabeludo. No entanto, pelos axilares e pubianos, e até mesmo as sobrancelhas e cílios, podem ser perdidos.

O folículo piloso recomeça ciclos normais dentro de algumas semanas de cessação do tratamento e o rebote visível torna-se aparente dentro de 3 a 6 meses. O cabelo novo tem, frequentemente, características diferentes do original; 65% dos pacientes experimentam um efeito de rejuvenescimento nele, com os novos fios de cabelo tornando-se crespos ou lisos, que é provável devido aos efeitos diferenciais da quimioterapia em melanócitos do folículo do cabelo e no epitélio interno da bainha da raiz.

Na tentativa de reduzir essa queda, existem várias medidas utilizadas ao longo dos tempos. O primeiro mecanismo físico para reduzir a quantidade de quimioterapia que chega ao folículo capilar foi o uso de torniquetes de couro cabeludo, que obstruem temporariamente o fluxo sanguíneo – utilizados pela primeira vez em 1966. Outro mecanismo é o esfriamento do couro cabeludo, descrito pela primeira vez em 1977; a hipotermia do couro cabeludo induz à vasoconstrição, reduzindo a quantidade de quimioterápico que atinge as células do couro cabeludo.




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Porém, para serem eficazes, ambos os métodos requerem o uso de um agente quimioterápico com meia-vida curta e depuração rápida do fármaco e seus metabólitos.

Os efeitos colaterais incluem desconforto do paciente a partir das tampas pesadas, cefaleia e claustrofobia; existem raros relatos de metástases do tumor em couro cabeludo, que posteriormente foram tratadas com sucesso com repetição da quimioterapia.

Os resultados de muitos estudos são difíceis de interpretar secundariamente ao uso de sistemas de resfriamento múltiplos, no entanto, pelo menos quatro estudos clínicos randomizados sugerem menos perda de cabelo com hipotermia do couro cabeludo, com resposta boa a excelente em 50% a 80% dos pacientes.

Entre as drogas mais utilizadas temos:
- Minoxidil: efeitos muito limitados
- AS101: o efeito protetor desse composto sobre a perda de cabelo foi observado em alguns estudos, porém não confirmado em estudos maiores.
A-tocoferol: estudos sugerem que pode haver algum efeito benéfico com a medicação.
- Imuvert: até o momento, os resultados ainda são inconsistentes.
- Ciclosporina A e o FK 506: a aplicação tópica de ciclosporina A e de FK 506 induziu o crescimento do cabelo e inibiu a queda causada pelo uso de ciclofosfamida.
- Vitamina D: ainda estão em análise a dose e a forma de aplicação para um melhor resultado.

Sendo assim, atualmente, apenas as medidas de diminuição de entrega de quimioterápicos aos folículos capilares, como o esfriamento do couro cabeludo, por exemplo, podem ser recomendadas. Porém, o paciente tem que ter em mente que é um quadro transitório e reversível e que é essencial no objetivo final do tratamento: CURA do câncer.

Bom domingo de frio a todos!

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.

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