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Uberaba, 28 de outubro de 2020 -

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Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 04/10/2020


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Outubro Rosa

Bom dia, leitores do Jornal da Manhã. Estamos entrando no mês mais importante na prevenção ao câncer de mama. E também o mês em que mais escutamos: “Doutor, não existe outro método que substitui a mamografia?”. Então, decidi contar um pouco da história da mamografia e mostrar como ela ajudou a criar a maior campanha contra o câncer de mama: Outubro Rosa.

Essa história se iniciou em 1913 com Albert Salomon, um cirurgião alemão, que publicou estudos radiológicos demonstrando a possibilidade de correlação anatomorradiológica e patológica das doenças da mama com diferencial de afecções benignas e malignas. Após um período de latência, em 1949, Raul Leborgne revitalizou o interesse pela mamografia, chamando a atenção sobre a necessidade de qualificação técnica para o posicionamento e parâmetros radiológicos utilizados. Ele foi o pioneiro na melhoria da qualidade da imagem, além de dar ênfase especial ao diagnóstico diferencial entre calcificações benignas e malignas. Já na década de 60, enquanto assistíamos o homem chegar à Lua, Robert Egan, utilizando filmes Kodac especiais, desenvolveu uma técnica de alta miliamperagem, com baixa quilovoltagem, que levou a um novo patamar de qualificação das imagens de mamografia, relatando os primeiros 53 casos de câncer mamário ocultos, detectados em 2.000 exames mamográfico realizados por ele. Em 1965, Charles Gross, de Estrasburgo, França, desenvolveu as primeiras unidades móveis dedicadas à mamografia. Estes aparelhos tinham um tubo de raios X de molibdênio com 0,7 mm de ponto focal, proporcionando elevado contraste diferencial entre parênquima, gordura e microcalcificações.




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Em 1974 apareceram os primeiros resultados sobre rastreamento mamográfico e sua capacidade em diagnosticar câncer minimante invasivo, sendo consolidado em 1985 através de um grande estudo de rastreamento mamográfico com 134.867 mulheres entre 40 e 79 anos, verificando redução de 31% de mortalidade. A partir desses resultados, no início da década de 90 foi criada a maior campanha com intuito de conscientizar as mulheres sobre os benefícios da triagem mamária de rotina: Outubro Rosa. Essa campanha tem a missão de promover ações de conscientização diretamente com o público. Esse movimento se espalhou rapidamente por todo o mundo e o seu impacto está ainda hoje entre as maiores ações sociais da história da saúde humana. A evolução da mamografia não parou na década de 90. No ano de 2000 surgiu a primeira mamografia digital: Senographe 2000 D. Sua grande inovação consistia na introdução de um controlador computadorizado (com controle automatizado de qualidade) e a substituição do sistema filme/écran por um detector eletrônico altamente diferenciado e eficaz na absorção do feixe de raios X. Uma década depois, veio a tecnologia de imagem de mama 3D, que rapidamente se mostrou superior à imagem digital e é amplamente utilizada hoje em países avançados. A mamografia ainda hoje é o melhor exame de rastreamento de câncer de mama, é o melhor exame para detecção de microcalcificações e o único exame de rastreamento de câncer de mama que mostrou redução da mortalidade. Entendemos cada dia mais sobre o câncer de mama. E as mulheres também sabem cada dia mais sobre a mamografia. Há um foco crescente em capacitar as mulheres para que participem de forma ativa no gerenciamento de sua própria saúde e em aumentar a disponibilidade de acesso aos aparelhos de forma uniforme, para que a mamografia continue, todos os dias, mudando positivamente a história de mulheres ao redor do mundo todo.

Um bom domingo a todos!  

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.

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