JM Online

Jornal da Manhã 48 anos

Uberaba, 26 de setembro de 2020 -

BUSCAR EM TODAS AS SEÇÕES BUSCAR
Buscar

Colunas

Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 06/09/2020


Continua depois da publicidade


Preciso fazer teste genético para câncer de mama

Bom dia, leitores do Jornal da Manhã. Na coluna de hoje, abordarei um tema que vem gerando curiosidade cada dia maior nas mulheres com história familiar de câncer de mama: É preciso fazer um teste genético para câncer de mama?

Sabemos que de 5 a 10% dos cânceres de mama têm origem genética, ou seja, familiar. Isso significa que a cada 10 casos de câncer de mama que diagnosticamos apenas 1 caso tem herança familiar. Os demais são frutos de modificações causadas por ação externa. Em termos populacionais, o fator genético tem uma participação pequena no número total de cânceres de mama, mas, quando analisamos uma pessoa com história familiar, e dependendo da mutação que ela possui, ela pode ter mais de 80% de risco de desenvolver um câncer de mama durante a vida.

O grande desafio é pra quem eu devo solicitar esses testes genéticos e o que fazer frente ao resultado de uma mutação em um gene com poder oncogênico nesses testes. A principal síndrome genética associada ao câncer de mama é da mutação dos genes BRCA1 e BRCA2. São responsáveis por mais de 80% dos cânceres de mama de origem genética. Essa síndrome tem herança autossômica dominante, ou seja, se um membro tem essa mutação, todos que herdarem esse gene mutado desenvolverão a síndrome, independente do sexo.

Os cânceres de mama decorrentes da mutação do gene BRCA1 têm um prognóstico mais reservado, são mais agressivos e menos responsivos ao tratamento.  Além do risco de desenvolver também câncer no ovário e no pâncreas. Esses tumores acometem mulheres mais jovens, têm maior chance de acometer as duas mamas e não respondem à hormonioterapia. Por isso, temos que diagnosticá-los no início e temos que ser mais agressivos no seu tratamento.   




Continua depois da publicidade

Nosso desafio e objetivo então é saber pra quem eu devo pedir esse estudo genético. Todas as mulheres com história familiar devem fazer esse exame? Vale a pena pedir de forma aleatória? Sabemos que câncer de mama abaixo dos 40 anos, cânceres de mama multicêntricos, bilaterais, cânceres de mama associados a câncer de ovário, cânceres de mama no sexo masculino, são candidatos formais a realização destes testes. Mas qualquer paciente com câncer de mama pode procurar um aconselhamento genético para ela e para seus familiares. Após a construção do heredograma, gráfico semelhante à árvore genealógica, a paciente e seus familiares receberão aconselhamento especializado sobre predisposição e riscos de desenvolvimento da doença. Baseado na história do câncer do paciente e de sua família, o geneticista clínico pode tirar informações que indiquem se aquele tumor está relacionado a uma mutação genética hereditária que aumentou a suscetibilidade à doença.

Feito o diagnostico de mutação hereditária, em especial do gene BRCA1, o mastologista, em decisão conjunta com o paciente e com os familiares que também possuírem essa mutação, decidirão o melhor caminho. Pode ser com intuito preventivo, realizando mastectomia profilática bilateral e após a vida reprodutiva, ooforectomia bilateral. Ou seja, com medidas de rastreamento para detecção precoce desses tumores e tratamento oportuno. Havendo pros e contras nos dois caminhos. Por isso, essa decisão em conjunto: médico-paciente-familiares.

Um bom domingo a todos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
DESENVOLVIDO POR Companhia da Mídia