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Uberaba, 06 de julho de 2020 -

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Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 28/06/2020


Bom dia, leitores do Jornal da Manhã!

O tema que iremos abordar hoje, e que há anos circula em comunidades virtuais, será: verdade ou mito que a realização da mamografia periódica eleva o risco de câncer de tireoide?
É uma FAKE NEWS!

A radiação produzida pelo exame de mamografia é mínima e praticamente toda direcionada às mamas, chegando uma quantidade irrelevante de radiação a outros órgãos. Ainda mais com os novos aparelhos, que reduzem em mais de 30% a radiação liberada em comparação àqueles de décadas atrás.

A afirmação que relaciona a mamografia com a ocorrência do câncer de tireoide disseminou-se nas redes sociais e a autoria do artigo foi, por várias vezes, relacionada ao dr. Dráuzio Varella. Porém, o mesmo já desmentiu essa informação. Além disso, os Colégios Brasileiro e Americano de Radiologia não somente condenaram o assunto, como também contraindicam o uso de protetor de tireoide durante o exame de mamografia. O que percebemos é que há um claro exagero, despreparo e interesses escusos nessas críticas.

Muitas pessoas não sabem, mas a mesma radiação presente em um exame de imagem está presente no meio ambiente. Em países industrializados, cada pessoa recebe em média uma dose de radiação ionizante de 3,0mSv ao ano. A dose de radiação de um exame de mamografia é de 0,7mSv. E para que uma dose de radiação/ano seja capaz de causar uma mutação celular, levando ao risco de desenvolver o câncer, ela tem que ser superior a 10mSv/ano. O que isso nos mostra é que o exame de mamografia não aumenta o risco de câncer de tireoide e de nem um outro tipo de câncer. Mesmo quando se faz necessário refazer o procedimento num intervalo menor que um ano, não aumenta o risco de desenvolver uma neoplasia.

O que precisamos disseminar nas redes sociais é que a mamografia salva vidas, reduzindo a mortalidade de mulheres assintomáticas que são efetivamente rastreadas em até 40%. Isso se dá através do diagnóstico precoce do câncer de mama, proporcionando às pacientes taxas de cura superiores a 85%. E quanto ao câncer de tireoide, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a taxa de incidência dessa neoplasia tem aumentado cerca de 1% ao ano na maioria dos países do mundo. Mas, isso se deve ao fato de que o exame que detecta o tumor está sendo realizado com mais frequência, e não por exposição à radiação ionizante liberada pela mamografia.

Espero que tenha ajudado a acabar com mais um mito!

Bom domingo a todos!
 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
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