JM Online

Jornal da Manhã 47 anos

Uberaba, 13 de julho de 2020 -

BUSCAR EM TODAS AS SEÇÕES BUSCAR
Buscar

Colunas

Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 22/03/2020


Bom dia, leitor do Jornal da manhã!

Hoje vou dar uma pausa para falar um pouco daquilo que se aproxima cada dia mais de todos nós: pandemia do coronavírus. Por que estamos perdendo essa guerra e o que podemos fazer para minimizar os estragos.

O que vemos é que estamos sempre pelo menos sete dias defasados em relação à realidade epidemiológica do vírus. Quando conseguimos confirmar um contaminado e iniciar todos os mecanismos de isolamento, já existem muitos outros, que só vamos descobrir na próxima semana. E é essa defasagem que faz com que a curva de contaminação e morte pelo vírus cresça rápido. Por isso, quando falamos em medidas restritivas, em momentos que parecem ainda tão inofensivos, estamos tentando tirar algumas voltas de nossa frente em que o vírus está.

Por que falamos tanto na necessidade de achatar a curva de crescimento de casos novos? Vou tentar explicar de uma forma simples por que é tão importante achatarmos essa curva:

– Se todo mundo ficar contaminado ao mesmo tempo, mesmo sendo uma doença de baixa morbidade e mortalidade, teremos um número de pacientes que necessitarão de atendimento de UTI acima da capacidade hospitalar, e, com isso, teremos uma mortalidade muito maior que a esperada. Isso é decorrente da falta de equipamentos e medicamentos para assistir todos esses casos. Porém, quando achatamos a curva, virão menos casos graves ao mesmo tempo e poderemos dar o melhor em prol de cada uma dessas vidas, com uma chance muito maior de curar esses casos graves.

– Se todo mundo ficar contaminado ao mesmo tempo, teremos uma carga viral muito mais elevada no ambiente. E o que significa isso? Que teremos mais vírus no ambiente e nos contaminaremos por um volume viral maior e, com isso, todos nós teremos mais chance de desenvolver a forma grave da doença, independente da idade e das comorbidades associadas. Situação que, na curva achatada, acometeria apenas os médicos e profissionais da saúde que estão na linha de frente em ambientes hospitalares.

Visto isso, venho hoje pedir a cada um que esteja lendo essa coluna que faça sua parte, exerça na forma mais ampla sua cidadania, se previna, evite se expor e expor os outros. Caso você apresente qualquer sintoma gripal, isole-se, use máscara, faça o teste se tiver tido exposição de risco. Tenho certeza que ninguém quer perder nenhum amigo, nenhum parente, nenhum pai, irmão, filho e, principalmente, perder a própria vida.

Entenda que todos nós vamos perder dias maravilhosos, vamos perder dinheiro, viagens, trabalhos... Isso não é exceção, é a realidade de todos. Quanto mais unidos formos agora, melhor sairemos dessa situação.

Minha clínica, Ana Jorge, a princípio ficará fechada por 15 dias para atendimento ao público. Ficaremos disponíveis via online e por aplicativos e manteremos nossos pacientes sempre atualizados das possibilidades de retorno às consultas. Prestaremos atendimento físico apenas para casos pós-operatórios e casos oncológicos graves. Eu me manterei recolhido junto aos meus, fazendo a minha parte. A guerra será dura, triste, deixará cicatrizes, mas podemos vencê-la.

Um excelente domingo em família e em casa a todos!

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ.
O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
DESENVOLVIDO POR Companhia da Mídia