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Uberaba, 24 de fevereiro de 2020 -

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Lídia Prata
Renato Abrão RENATO ABRÃO 12/01/2020

Bom dia, leitores do Jornal da Manhã! 

Hoje o tema que vou abordar é uma questão muito complexa e que é pouco abordada entre as pacientes com câncer de mama, não só no convívio em casa como também na rotina do consultório do mastologista. Vamos falar da sexualidade da mulher após o diagnóstico de câncer de mama, em especial, daquelas submetidas ao tratamento radical.

As mulheres com câncer de mama podem diminuir ou interromper suas atividades sexuais durante o tratamento. Essas alterações são mais comuns quando se comparam mulheres em tratamento e aquelas que o completaram, assim como quando se comparam os diversos tipos de tratamento.

Estar com câncer de mama não afeta somente a saúde física, mas também a psicológica. A paciente precisa estabelecer uma relação com seu próprio corpo e com sua sexualidade. A queda de cabelo e a mastectomia são processos especialmente delicados para a autoimanem da paciente. É comum para quem está enfrentando esse período difícil se questionar sobre sua sensualidade. Nos casos em que a paciente é submetida à mastectomia radical, sem a reconstrução imediata, esse quadro é ainda mais intenso, com alteração da autopercepção e da autoestima, gerando ansiedade e confusão. Aliado a tudo isso, o mundo de hoje criou padrões de beleza muito fortes, sendo a atratividade sexual associada, geralmente, à juventude, magreza e beleza corporal. Essas construções sociais acabam revelando em muitas pacientes uma falsa percepção de si, já que elas acabam por não se sentirem mais atraentes como antes.

A sexualidade durante o tratamento do câncer de mama é discutida há anos em diversos países, mas no Brasil muita gente ainda a encara como tabu. O tema quase nunca é abordado pelos mastologistas e oncologistas. As orientações e cuidados com a sexualidade da mulher ainda são negligenciados nesse contexto. A taxa de distúrbios sexuais pelo câncer de mama é de 35% e 50%. O que mais se observa são maridos e companheiros despreparados para o enfrentamento do processo de adoecer e tratar o câncer junto à companheira. A autoestima e a autoimagem dessas mulheres, já fragilizadas pelo diagnóstico e efeitos do tratamento agressivo em seus corpos, agravaram-se pelo fato de serem “rejeitadas” pelos companheiros.

Por isso, não só o mastologista e o oncologista, mas toda a equipe em volta, amigas e familiares precisam estar envolvidos nesse problema. Precisamos estar cientes dessa realidade e preparados para lidar com ela, saber abortar, orientar e ajudar. Temos que mostrar à paciente que sua vida sexual não acabou ali, que a atividade sexual é saudável durante o tratamento como uma prática natural. O acompanhamento e aconselhamento sobre o assunto, bem como o esclarecimento de dúvidas e inseguranças precisam ser oferecidos pelo médico. O aconselhamento e a educação em saúde podem reduzir a ansiedade, trazendo segurança e melhores escolhas de cuidado. Por fim, mostrar à paciente que o câncer não remete à limitação da vivência sexual; ele pode significar, inclusive, o despertar de uma nova fase como mulher.

Na próxima coluna, aprofundando um pouco mais nesse assunto, falarei do que temos de seguro em reposição de hormônios em pacientes com câncer de mama ou que já trataram de câncer de mama.

Um bom domingo a todos!

 

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