JM Online

Jornal da Manhã 49 anos

Uberaba, 24 de outubro de 2021 -

BUSCAR EM TODAS AS SEÇÕES BUSCAR
Buscar

Articulistas

Outros Articulistas

Dionyzio A. M. Klavdianos

Zelo de pais, zelo de filho

“Quando eu trabalhava lá, início dos anos 2000, caía alguns pedaços do prédio, o chão da garagem também já havia arriado algumas vezes. Tinha problemas de estrutura bem visíveis. Era um prédio de quase 40 anos.” 

Singelo assim, o depoimento do filho de uma das sobreviventes da queda do Edifício Andrea, em Fortaleza (CE), em matéria da Folha de 18 de outubro, nos dá uma boa dimensão do que se trata a vida útil de um prédio.

Embora de simples percepção, o tema parece ser de difícil expressão, tanto que na reunião da Comat/Cbic, no dia 24 de outubro em São Paulo, o coordenador da revisão da ABNT NBR 15575, a Norma de Desempenho, engenheiro Fábio Villas Boas, nos informou que o prazo de conclusão dos trabalhos do grupo que trata de durabilidade será superior ao dos demais.

Se levarmos em conta, com base na tabela C-6 da parte 01 da referida norma, que o parâmetro para desempenho mínimo da estrutura principal é 50 anos, o prédio em questão sequer atingiu a maioridade.

Chegamos a confundir vida útil com prazo de garantia. Prazo de garantia é como se fosse o tempo de vida para se atingir a maioridade, até lá quem se responsabiliza são os pais. Depois disto é vida útil. Companhias, hábitos, até sorte ou azar, determinam longevidade e em que condições.

Um dos avanços promovidos pelo advento da Norma de Desempenho foi justamente a de definir responsabilidades também para o condomínio pela integridade do imóvel. Não é só culpar a educação pelos inconvenientes, o meio também influi. Mas, cuidado, pais! Não é dizer que já fizeram sua parte e lavar as mãos.

Costumava dizer para a Natália, quando já tinha atingido a maioridade, que uma vez bem impermeabilizada a laje, chovesse não molharia, no máximo um pinguinho aqui e outro lá, nada que uma boa conversa ou manutenção não ajudasse a resolver.

Não tem segredo, cuidando com zelo e ficando atento, como faz o filho citado na matéria, até a sorte ajuda. 

(*) Engenheiro civil formado pela UnB, diretor técnico da Construtora Itebra, presidente da Comat/Cbic e presidente do Sinduscon-DF

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
DESENVOLVIDO POR Companhia da Mídia