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Uberaba, 24 de outubro de 2021 -

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Dionyzio A. M. Klavdianos

Nem tão bonito e pequeno, mas sadio e seguro

Quando penso no Japão ou na Coreia do Sul, a primeira imagem que me vem à mente é a de painéis luminosos, ornando fachadas de prédios ultramodernos. 

O filme japonês “Asako I e II” e o coreano “Em chamas” passam na periferia das capitais destes países. Os bairros não têm nada de bonitos, as construções são bem apinhadas e pequenininhas. Tem uma cena engraçada no filme coreano. O protagonista chega no apartamento da amiga e, percebendo o quão pequeno ele é, comenta bem humorado: morei num em que o vaso era do lado da pia da cozinha.

Matéria no Valor de 23 de janeiro apresenta pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que demonstra, com base na análise de 20 regiões metropolitanas, que a maioria dos empreendimentos do MCMV foi construída longe do limite da malha urbana, o que os especialistas chamam de salto, a pior das três formas de expansão da malha urbana (há, também, o preenchimento, quando espaços vazios centrais são ocupados; e extensão, crescimento das cidades pelas bordas), pois, de forma geral, tornará seus moradores reféns da ausência de infraestrutura. O estudo mostrou que as cidades que experimentaram esta forma de crescimento tiveram oferta de saneamento  a taxas inferiores que aquelas que tiveram menos projetos de MCMV, e do crime, tornam-se alvos fáceis de controle das milícias.

Matéria do Globo de 15 de janeiro apresenta a intenção da nova equipe econômica em viabilizar, já para 2022, o uso da tecnologia do Building Information Modeling (BIM) no MCMV. A intenção é baratear os custos das unidades em até 20%. O projeto deve ficar a cargo da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

No primeiro semestre de 2018, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) deu início ao projeto para definir qual será a habitação do futuro, tomando como norte o ano de 2030. Interessante que, nas oficinas de trabalho, que contaram com a participação de construtores, técnicos especialistas e acadêmicos, debatemos pouco sobre tecnologias construtivas e muito sobre a interação das construções com as pessoas que nelas residem, nos bairros onde se localizam, na cidade onde são assentadas.

O estudo da FGV justifica a razão do desequilíbrio nos debates das oficinas e mostra que tecnologias inovadoras, como o BIM, são bem-vindas, ajudam na solução do déficit habitacional, mas, por si só, não sanam os problemas das cidades.

Moradia para tanta gente é problema no Brasil, Japão e Coreia do Sul, mas me pareceu, assistindo aos filmes, que, na periferia das capitais dos dois últimos, os bairros, embora nada bonitos, possuem infraestrutura completa, e as construções, a despeito de apinhadas e pequenininhas, são seguras. 

(*) Engenheiro civil formado pela UnB, diretor técnico da Construtora Itebra, presidente da Comat/Cbic e 1º vice-presidente do Sinduscon-DF

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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