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Uberaba, 07 de dezembro de 2019 -

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Sumaya Figueiredo

21 de setembro: Dia de Conscientização da Doença de Alzheimer

“Alzheimer quanto antes souber mais tempo você irá lembrar”, este é um slogan que circula nas redes sociais. É verdade, hoje se sabe que há muito que fazer a partir do diagnóstico confirmado. Também há muito que ser feito antes do diagnóstico de um comprometimento cognitivo mais grave. No momento em que a pessoa começa a perceber que sua atenção, memória ou capacidade para se organizar, administrar suas finanças, sua vida já não está mais como antes, é importante buscar ajuda. Isso não depende somente do envelhecimento, ao contrário do que muitos acreditam. Mas, pode ser um sinal de que ‘algo poderá acontecer daqui a um tempo’.

Atualmente, é difícil existir alguém que nunca teve contato com uma pessoa com a doença de Alzheimer, quando esse contato já não existe dentro mesmo de sua própria família. É isso que nos preocupa, enquanto neuropsicóloga e gerontóloga: as projeções apontam para um crescimento acelerado de pessoas que serão portadoras desta doença - para daqui poucos anos!

Nós tendemos a viver como se fôssemos intocáveis, ou que nunca aconteceria com nossos familiares! Será???

A doença de Alzheimer é o tipo de demência mais comum que existe, é responsável pela maior parte de todos os casos de demência.

Vivemos num país que, segundo a OMS, terá a maior incidência e prevalência de doença de Alzheimer (Moulin, 2016). Os países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, são os que terão em sua população um maior número de pessoas acometidas por essa doença. Enquanto isso as estatísticas mostram que em países como a Escandinávia e o Japão essa taxa cai.

Segundo o mesmo autor, isso ocorre porque essa não é uma doença somente de um indivíduo, de um cérebro, mas de uma sociedade. Lembramos que nem todas as causas de Alzheimer são genéticas. Estima-se que 50% dos pacientes que atualmente são portadores da doença de Alzheimer, poderiam não tê-la se tivessem feito em sua vida algo diferente, dependendo também da política de saúde, educação e várias outras perspectivas de vida.

Segundo Moulin (2016), só de aprender uma segunda língua, por exemplo, podemos retardar a patologia em 5 anos. Reduzo a possibilidade de ser acometido, realizando atividades físicas regularmente. Além da alimentação adequada e o controle de outros fatores de riscos (ex: obesidade, dislipidemia, etc) que também têm um impacto positivo nesse sentido.

Estudos mais recentes apontam para a importância de se realizar exercícios para as várias funções cognitivas (memória, atenção, etc). Através do conhecimento da neuropsicologia, observa-se o quanto são benéficos e eficazes esses exercícios – Treino de Estimulação Cognitiva. Esses estudos mostram sua eficácia, por otimizarem o desempenho da pessoa que os pratica, quando é ela saudável. Ou postergar o declínio cognitivo e a piora do quadro clínico quando há dificuldades de memória, atenção, por exemplo – mas dificuldades menores. Ou também, quando as dificuldades são maiores, como é o caso daquele que foi acometido pela doença de Alzheimer.  

Toda pessoa pode buscar a prevenção ou no mínimo modificar os fatores que são passíveis de mudança, o quanto antes. Nesse caso, a Neuropsicologia pode auxiliar muito.

Ressaltamos que tanto em nível preventivo ou não, temos sempre a possibilidade de contribuir com as pessoas antes de um diagnóstico, quanto depois de já tê-lo. Além dos benefícios oferecidos através do trabalho com os cuidadores e familiares.

No entanto, repetimos que esse desafio não é somente de cada indivíduo. É preciso que o governo invista em medidas ligadas à saúde e educação, sobretudo, que favoreçam a possibilidade de preveni-la. É necessário que a compreensão, informação sobre todos esses aspectos ocorram e medidas providenciadas.

Já que o nosso cérebro “vale ouro”! 

(*) Psicóloga Cognitivo-Comportamental e Pedagoga; especialista em Neuropsicologia Reconhecida pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP 04/3097); especialista em Neuropsicologia pelo Centro de Estudos Psico-Cirúrgicos (CEPSIC) da Divisão de Psicologia e Divisão de Clínica Neurológica do Hospital das Clínicas do Instituto Central da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP- SP); especialista em Reabilitação Neuropsicológica pelo Centro de Estudos Psico-Cirúrgicos (CEPSIC) da Divisão de Psicologia e Divisão de Clínica Neurológica do Hospital das Clínicas do Instituto Central da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP- SP); mestre em Psicologia pela USP de Ribeirão Preto, SP; gerontóloga pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG)

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