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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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A banalização da docência no século XXI

O professor é um referencial para o estudante. Sua responsabilidade na construção efetiva de nossa democracia é indiscutível. Com o fenômeno da globalização transformando a educação em um produto, concebendo metas passíveis de mera apuração quantitativa, tanto no setor privado quanto no público, o que vemos é a construção de um indivíduo incapaz de lutar contra o desarmamento político-ideológico promovido pelo neoliberalismo e a sociedade de consumo.

No Brasil as reformas decorrentes desse novo modelo de economia mundial somente se intensificaram a partir dos anos 90. A presença do Estado na Educação vem sendo reduzida e quando detectada se caracteriza na oferta de um modelo caracterizado pela ineficiência que a qualifica como a prestação de um serviço social de baixíssima qualidade e preocupado apenas em atingir índices e metas que na realidade são estabelecidos pelo mercado e organismos internacionais.

A ausência de uma política pública para a Educação capaz de fazer com que esta cumpra seu papel na sociedade, principalmente o de formar um cidadão apto ao aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver e aprender a ser, não somente enquanto indivíduo, mas como parte de uma Nação, exercendo sua cidadania de forma plena, empobrece a capacidade intelectual e cultural do brasileiro e consequentemente nossa democracia.

Imaginem essa cena: O professor de ensino superior, que é reconhecido pelos seus pares e alunos como um dos melhores profissionais daquela instituição, entra na sala de aula e diz aos seus discentes que aqueles capazes de remover a tinta do pincel lançada no quadro branco com a língua ganharão um ponto. Em outro momento estimula os desesperados a se empurrarem nas escadas para assegurar outro ponto caso sejam o primeiro a chegar no laboratório. Tudo isso com o apoio de uma plateia que perdeu o referencial ético coletivo e se delicia com o desespero daqueles que precisam da nota e se submetem a essa situação desumana.

Parece um conto daqueles filmes de terror que falam de lendas urbanas, mas a verdade é que isso acontece todos os semestres em Uberaba. Esse é apenas um dos exemplos que demonstram a falta de preparo do professor, que deve ser um referencial para o seu aluno e a falta de preocupação do Estado em definir políticas públicas que incentivem o planejamento institucional de metas claras que primem pela qualidade. É preciso não só admitir aqueles que têm a melhor titulação, mas estimular a formação continuada do docente, recepcionando-o com dignidade e acompanhando-o no cotidiano da relação ensino-aprendizagem.

O professor não pode ser um mero animador de palco. Em pleno século XXI, o docente se transforma em uma “marionete”, que deve apenas agradar a maioria dos seus alunos, que deve desenvolver inúmeras outras atividades administrativas e conviver lado a lado com a escravidão digital, trabalhando mais do que deve, ganhando menos do que merece, exilando a família de sua vida e com total ausência de estímulo e condições para se reciclar e cumprir sua missão em auxiliar na formação do ser humano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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