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Uberaba, 21 de outubro de 2019 -

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Sérgio Cortes

A educação EAD e o advogado do diabo

O termo “advogado do diabo” inicialmente foi usado pela igreja católica para designar um advogado que tinha por tarefa apresentar provas ou dificuldades que impedissem a beatificação ou a canonização de um postulante a beato ou santo. Esta função foi abolida em 1983 pelo papa João Paulo II.

Hoje em dia, o “advogado do diabo” é mais conhecido como um indivíduo que defende as teses contrárias ao pensamento da maioria, ou seja, ele interpela e coloca questionamentos onde as pessoas não têm mais dúvidas. Neste artigo me coloco como advogado do diabo diante da ascensão da moderna e popular “educação a distância”. 

Não venho aqui me colocar contra a educação a distância, muito pelo contrário, acredito na sua proposta e na sua utilidade, quando ela se apresenta como uma oportunidade para pessoas que não têm tempo de frequentar aulas regulares ou que tenham dificuldades de transporte e locomoção, mas apenas me preocupo com sua rápida expansão e que com qual qualidade ela pode ser oferecida aos nossos discentes.

Confesso que, como professor, vejo com certa cautela e reserva esta modalidade de ensino, quando é oferecida indiscriminadamente e utilizada nos mais diversos cursos, sem uma análise mais profunda de sua eficácia.

A Educação a Distância é uma modalidade de ensino que podemos ainda considerar nova no Brasil. Teve início como uma opção de cursos semipresenciais para algumas matérias, na maioria das vezes, disciplinas teóricas. Depois se tornou uma oferta bastante comum nos cursos técnicos e de pós-graduação. Hoje, a EAD é oferecida em todas as graduações e cursos, inclusive com avaliações sendo feitas exclusivamente a distância.

O próprio MEC incentiva, e inclusive obriga as instituições de ensino, a oferecer partes do conteúdo das aulas e atividades na modalidade a distância, através de portais educacionais.

Apesar de tantos bons motivos e facilidades que a EAD nos oferece, ainda me coloco na figura do bom e velho “advogado do diabo”, e crio dúvidas:

- Será que esta modalidade de ensino não vem trazer tantas facilidades (preço, poder estudar a qualquer hora e em qualquer dia, entre outros) que se perde na qualidade do ensino, correndo o risco de se tornar apenas uma indústria de diplomas?

- Será que a presença física e o contato do aluno com o professor tornaram-se dispensáveis? Afinal, devemos nos lembrar que cada aluno é um ser individual e que esta individualidade faz toda a diferença no seu processo de aprendizagem. Ensinar é um ato de amor tão extraordinário que não pode ser frio. Precisa ferver, precisa vibrar, precisa deste contato de olho no olho, de cumplicidade.

Encerro na intenção de ter provocado perguntas, e que estas perguntas resultem em buscas ao conhecimento e que, por fim, produzam respostas sensatas e verdadeiras. 

(*) sergio.cortes@hotmail.com

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