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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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A alma d’Uberaba

Foi num desses sonhos que a gente dorme ainda mais desperto. Nesse sonho, emanado pela comemoração do bicentenário de nossa cidade, apeguei-me a querer descobrir a alma d’Uberaba. Qual seria a alma de Uberaba?

Fui à ABCZ, referência internacional de gado zebu, que tanto nos orgulha. Andei por lá, lembrei-me da minha juventude, de momentos agradáveis, paqueras, shows, as cocadas e as maçãs do amor. Mas não encontrei a alma d’Uberaba.

Continuei a busca. Fui à Casa/Museu de Chico Xavier. Quanta energia esplêndida entre aquelas paredes, que ainda exalam a candura do nosso ascenso Chico. Cheguei perto, bem perto, mas não foi ali, ainda, que encontrei a alma d’Uberaba.

Em meio ao sonho, segui caminhando. Fui à igreja de Nossa Sra. da Abadia. Eis outro templo de profunda sinergia com as coisas do alto. Ali, o saudoso Monsenhor Juvenal celebrou a missa da minha formatura, ali tanto converso com os de cima. Mas não encontrei a alma d’Uberaba. A procura começou a se mostrar difícil.

Fui à feira do Grande Abadia, fui ao tradicional Mercadão Municipal. Quantas cores, quanta diversidade, quanto sabor de gente. Estive próximo, mas não encontrei.

Fui à nossa egrégia e gloriosa UFTM. Quanto orgulho por tão qualificado centro de formação a nos servir, um privilégio, honraria nossa essa amada escola de Educação Superior. Entretanto, nenhum vestígio da alma d’Uberaba.

Fui ainda ao antigo Cine Metrópole, ao paralisado Grande Hotel de Uberaba, à histórica Praça Rui Barbosa. Deslizei pela centenária rua Artur Machado. Cheguei a ir ao aprazível distrito de Peirópolis. Nada da alma d’Uberaba.

Fiquei fadigado, relutante, inquieto, ansioso, quase acordei...

Lembro que me sentei no banco da praça em frente à igreja Santa Rita. Na ânsia de desistir, quase desistindo, uma senhorinha veio atravessando a praça. Carregando pesada sacola, com suor no rosto, ares de cansaço e de estar trabalhando, ainda assim, sorriu para mim. E foi naquele gesto, tão espontâneo e singelo, que encontrei, enfim, o que procurava. Um sorriso sempre encontra a gente.

Na jornada que nos leva, quando deixaremos de procurar o que nos cerca?

Julio Cesar Oliveira Bernardo
Professor e cronista
juliobernar78@hotmail.com

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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