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Uberaba, 22 de maio de 2022 -

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Padre Prata: voa passarinho!

No ano de 2002 publiquei um simples e singelo livro de poesias. Naquele mesmo ano, a convite das estimadas escritoras Ani e Iná, fui a uma reunião da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, na época presidida pelo Prof. Mário Salvador. Na ocasião, possibilitaram-me fazer uma apresentação breve e informal sobre esse livro. 

Antes do início da reunião, sentei-me mais ao centro do salão, ao lado dos memoráveis Dom Benedito de Ulhoa Vieira e Monsenhor Juvenal Arduini. Padre Prata por ali também chegou. Todos os três foram muito corteses comigo, mas em questão de segundos percebi que alterava a ordem dos assentos. Sentei-me na cadeira posterior e os três gigantes das letras acabaram-se sentando lado a lado, o que percebi como sendo, talvez, hábito ou costume deles. O entrosamento dos três e o carinho recíproco, que ali presenciei, eram sim poesia viva, e eu, que fui apresentar poesia, acabei foi recebendo.

Eis que semana passada fomos surpreendidos pelo desenlace do Padre Prata, o último desses três mosqueteiros do evangelho a nos deixar. Fica em minha memória a figura daquele Padre bom de contar causos, sempre didático e aprazível em suas explanações.

Certa vez li uma de suas crônicas, que jamais esqueci. Discorria sobre os pardais, essas pequeninas aves que, embora meio sumidas, às vezes nos cercam serelepes querendo nos encantar. Só mesmo o Padre Prata para visualizar a grandiosidade e o sublime dom da vida em tão pequeno passarinho. É coisa, sim, de quem está uma meia dúzia de milhares de léguas mais perto de Deus.

Padre Prata é desses passarinhos celestiais, que completou a messe de São Paulo: cumpriu a jornada, combateu o bom combate e guardou a fé. Aliás, Padre Prata também multiplicou a fé.

Encontrei-o nos últimos anos algumas vezes pelo trecho. Não me lembro de tocar no assunto dos pardaizinhos. Mas sempre que vir algum, de agora em diante, não terá como não lembrar… Voa passarinho!! 

(*) professor e cronista
juliobernar78@hotmail.com

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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