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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Deficiência de caráter

Antes de a pandemia modificar nossos hábitos, eu sempre ia à festa de Santa Teresinha, realizada no mês de setembro, na praça de mesmo nome, que culminava com a missa em homenagem à santa, no seu dia, 1º de outubro. Lá aconteciam leilões de prendas oferecidas pelos paroquianos, bingos e outras brincadeiras, em meio à venda de pastéis, cachorros quentes, canjica e tantas guloseimas deliciosas. Em todas as minhas idas, levava comigo meu sobrinho que tem síndrome de Down e adora as barraquinhas.

Quando ele tinha 9 anos e lá estávamos, ele encontrou uma menina da mesma idade e com ela ficou o tempo todo, conversando, brincando no pula-pula e se divertindo muito. Perguntei-lhe quem era, e ele me disse que era sua coleguinha de aula. Chamei-a para a minha mesa e conversamos sobre a escola e a amizade dos dois. Alegria pura, bonito de se ver.

Conto esse fato para reafirmar minha convicção de que as crianças com alguma deficiência devem, sim, conviver com as consideradas normais, para benefício de ambas. A convivência em escolas comuns ajuda a vencer desde cedo preconceitos, que só destroem o que há de melhor na infância, que é a inocência e a pureza de sentimentos.

Pois não é que o Decreto 10.502/2020 do governo Bolsonaro incentiva a criação de escolas especializadas para atender pessoas com deficiência que “não se beneficiem” da educação regular, segregando aquelas que para eles, nas palavras do ministro da Educação, prejudicam o ritmo do aprendizado das normais! O decreto está suspenso, aguardando decisão do Supremo Tribunal Federal.

Mais fácil para esse governo segregar do que incluir. Separar por castas do que promover união, superação, harmonia. Por que não disponibilizar professores auxiliares, os chamados monitores, nas salas de aula com crianças com deficiência, que ajudariam os titulares e fariam todos se sentirem bem. Dinheiro para assessores de políticos sobra. Abundam as mordomias para suas excelências, mas falta o básico para a educação.

O problema no Brasil não são as crianças deficientes. O que pesa é a deficiência de caráter daqueles que se valem de um cargo passageiro para transformar a vida das pessoas em desalento e dificuldade. Aos deficientes de caráter, o melhor é manter distância segura. São insensíveis às carências básicas do ser humano e nada acrescentam aos demais. Para esse tipo de deficiência não existe inclusão possível.

Márcia Moreno Campos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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