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Uberaba, 17 de maio de 2022 -

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Para que serve o salário?

Recentemente me deparei com a dificuldade de contratar funcionários para o turno da noite, em particular garçons e cozinheiros, porque os ônibus de transporte urbano param de circular por volta de 23h30 e o turno deles quase sempre se estende até 1h da manhã. O salário não suporta arcar com o custo de mototáxi, e sendo assim, muitos, premidos pela necessidade de sobrevivência, se arriscam e retornam às suas casas a pé ou de carona, quando conseguem, sujeitando-se a todo tipo de intempéries.

Pois então, salário é o que se ganha para pagar moradia, transporte, plano de saúde e o sustento pessoal. Ou se tira dele, ou sacrifica-se de outra forma. Porém, isso só se aplica a nós, pobres mortais, porque para suas excelências, membros do glorioso Poder Legislativo, salário é o que se recebe todo o mês com o fim único de ser guardado e não gasto, porque para todo o resto existem verbas específicas. Para morar, independente de se ter residência fixa no local do trabalho, contam com generoso auxílio-moradia. Para viajar, diárias, ajuda de custo e passagens aéreas. Para auxiliá-los na espinhosa função legislativa, um sem número de assessores muito bem remunerados com valores que não saem dos salários dos detentores de mandato. A chamada verba de gabinete cobre quase tudo, de combustível a refeições, e até, como se descobriu recentemente, ingresso de cinema e, claro, a indispensável pipoca. Ah, e se não bastasse, os deputados estaduais de Minas Gerais receberam uma verba extra de R$70 para poder se vacinar contra a gripe.

Só posso avaliar isso como uma total insensibilidade desses que foram eleitos para representar o povo. Na verdade, que povo eles representam? O povo sofrido, desempregado e carente? O povo que morre nas filas, que nunca trabalhou com ar-condicionado, cafezinho a toda hora e farta mesa de lanches? O povo que demora 35 anos para se aposentar, enquanto eles se aposentam integralmente após cumprir dois mandatos legislativos?

Dizem que, nas guerras, um general nunca abandona os seus. Na vida civil estamos carentes de líderes. Carentes de homens de bem que saibam renunciar e denunciar mordomias desnecessárias e supérfluas. Esta casta privilegiada não nos representa.

Márcia Moreno Campos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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