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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Hipocrisia política

Já me posicionei a favor da candidatura avulsa que é aquela que permite ao candidato disputar uma eleição sem estar filiado a nenhum partido político. Infelizmente, essa prática não é permitida no Brasil. Assim, pessoas que almejam algum cargo, quer no Executivo, quer no Legislativo, necessitam estar filiadas a um partido. O leque de opções é grande – são 33 no Brasil, fora inúmeros outros em processo de constituição. O pretendente deveria, ao menos, por princípio, escolher aquele que mais se aproximasse do seu ideal como político. Na prática, o que de fato ocorre está bem distante disso. Via de regra, são os interesses que prevalecem sobre quaisquer sentimentos e opiniões antes defendidas pelo pretenso candidato, e a filiação se dá naquele partido que lhe oferece melhores condições de vitória. Tudo bem. Esse é o jogo.

Mas, eis que chega a campanha eleitoral. O candidato liberal que se filiou a um partido fisiológico, por exemplo, insiste em enganar o eleitor dizendo que seus propósitos são nobres. Oculta as diretrizes da agremiação que lhe acolheu e se porta como se fosse candidato de si mesmo. Nos bastidores é cobrado e sabe que terá que retribuir o apoio recebido, dando participação em seu governo, ou votando de acordo com as diretrizes do Partido, no caso de cadeiras do Legislativo. Ou será que ainda tem alguém que acredita em altruísmo partidário, em ausência de interesses, em total liberdade de escolha do candidato eleito?

E o eleitor, que adora ser iludido, continua apostando no candidato puro, nas boas intenções, na novidade, e naquele que vai fazer tudo diferente. No fundo sabe que não é assim, mas opta pelo autoengano.

O sistema político tem que mudar. Reduzir consideravelmente o número de partidos, de modo a deixar claro para o eleitor quais são suas diretrizes e posicionamentos. Só assim, o candidato poderá ser verdadeiro nas suas promessas e intenções, e optar por mais transparência e menos hipocrisia. Oxalá um dia isso seja possível.

 

 

Marcia Moreno Campos

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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