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Uberaba, 15 de novembro de 2019 -

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Frei Iago Maia, OP

Uma família que anuncia a vida

Deus dirige a Sua Igreja ao longo da história, suscitando, nos tempos e lugares propícios, homens santos, que façam-na "ressuscitar" da miséria e da morte. São Domingos é um desses homens, que no século XIII, período particularmente conturbado, constituiu uma família de pregadores com a missão de anunciar o Evangelho ao mundo. Esta família celebra neste ano 800 anos de aprovação, por isso somos convidados a olhar nossa história, ir às fontes e beber do carisma fundacional para continuamos a desempenhar nossa missão de pregadores.

Estamos inseridos numa sociedade não muito diferente do tempo de São Domingos, percebemos que as exigências primárias da fundação ainda valem para os dias atuais. Devemos indagar-nos individualmente e com toda a família dominicana: o que esperam de nós a sociedade e a Igreja hodierna? Quem conhece-nos quer de nós uma ação atualizada da missão de São Domingos, que pela pregação do Evangelho semeou esperança, anunciou o tempo da graça, recordando aos seus irmãos que o reino de Deus está no meio de nós (Lc 17, 21).

Como família de pregadores, não podemos perder de vista a contemplação e o estudo, meios pelos quais desempenhamos a nossa missão que é anunciar Jesus Cristo, força e sabedoria de Deus (1Cor 1, 24) e pelos seus méritos alcançar a salvação das almas. Santo Tomás de Aquino nos ensina que “a paixão de Cristo é suficiente para orientar nossa vida inteira”; Santa Catarina experimenta a Deus e declara que “pelo amor, o homem se torna um outro Cristo. É pelo amor que o homem se une a Deus”.

Continuamos a nossa história com outras tantas figuras que anunciaram a Nosso Senhor e denunciaram esquemas que oprimem os pequenos: Frei Bartolomeu de Las Casas, na defesa dos povos indígenas; Santa Rosa e São Martinho frente ao povo de Lima, Pe. Lagrange nos estudos bíblicos; Pe. Cheni e Pe. Congar, auxiliando no Concílio Vaticano II; padre Lebret, na economia; missionários que deixaram tudo e Tudo ganharam; mártires que testemunharam a fé derramando seu sangue. Santos zelosos pela Igreja e outros tantos dominicanos e dominicanas que no anonimato das periferias existenciais vivenciaram o carisma de Domingos no diálogo com o mundo.

No último dia 04, concluiu-se o Capítulo Geral da Ordem. Numa audiência particular o Santo Padre, o Papa Francisco, recordou aos capitulares que “O bom pregador é consciente de que se move em terra santa, porque a Palavra que carrega consigo é sagrada, e seus destinatários também são... Fieis à verdade e testemunhas corajosas do Evangelho”.

Somos uma família de pregadores e pregadoras que nesses 800 anos experimentamos e anunciamos a Vida, que estava junto de Deus, fez-se carne e assumiu a nossa humanidade, para que os que a receberem alegrem-se conosco e também sejam anunciadores da Vida que é Jesus de Nazaré. (cf. 1Jo 1, 3) 

(*) Noviço

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