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Uberaba, 24 de setembro de 2020 -

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Bruno de Assis

A virilidade de Paulo

Recentemente lançado nos cinemas, o filme “Paulo, Apóstolo de Cristo” gerou grande repercussão por se tratar de uma temática que sempre atrai as atenções. Fora a grande produção da obra e as atuações impecáveis que me chamaram a atenção, o que considerei uma questão crucial na obra foi a representação da personagem de Paulo.

Um homem singular em seu vigor, forte e resistente, com uma voz de trovão, diferente de uma figura frágil e contemplativa que talvez possa povoar o imaginário que as pessoas têm de um homem religioso. Assim como Jesus, que era carpinteiro e que, pela lógica, também deveria ter um perfil corporal robusto, o que explicaria, em partes, sua resistência para suportar a flagelação e a caminhada pela via crucis.

Cristo chamou os seus amados discípulos e os enviou a pregar: “Eis que vos mando como ovelhas para o meio dos lobos”. Ele sabia que a missão dos que O seguem não seria, nem é fácil. A fé é contrária a tibiez. “O sangue dos mártires é a semente dos cristãos”, testemunhava Tertuliano já no período dos primeiros anos da Igreja.

Aristóteles falava da necessidade de combater o mal da akrasia. O homem acrático é aquele que age contra seu próprio juízo acerca do que é o bem e, pelo desejo, escolhe a comodidade e o prazer. Falta de força de manter-se firme em seu propósito, o que nos afasta da vida virtuosa.

Em tempos de pós-modernidade, modas e vícios abundam nas ruas. É preciso ter força e coragem para resistir às tentações do mundo. Perseverar. “Peleja como bom soldado e, se algumas vezes, por fraqueza, caíres, torna a cobrar maiores forças que as anteriores, certo de que receberás mais copiosa graça; guarda-te, porém, contra a vã complacência e a soberba”, nos exorta o monge Tomás de Kempis em sua a “Imitação de Cristo”.

Exemplos não faltam na história de homens santos e mártires que a sua maneira resistiram ao que havia de pior em seu tempo e seguiram as pegadas Daquele que venceu o mundo. São Sebastião que escolheu as flechas, São Thomas More decapitado ao se opor ao rei, São Lourenço queimado em brasa por desafiar um imperador, entre muitos outros que preferiram a morte a renunciar sua fé.

E nós, o que faríamos caso fôssemos tentados a contrariar nossa fé por bens mundanos? E se nos encontrássemos com uma faca no pescoço, sendo chamado de infiel? Quantas moedas de prata seriam necessárias para entregarmos nosso bem mais precioso? É preciso virilidade para lutar o bom combate, completar a carreira e guardar a fé. 

(*) Professor e jornalista

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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