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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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O Faxineiro-Mor

Quem nunca arrumou uma casa depois de um fim de festa ainda não sentiu o gostinho amargo daquilo que julgo ser uma custosa tarefa doméstica. Ainda mais após uma daquelas farras em que a bagunça generalizada contagiou todos os animados convidados. Analisar o que é prioritário na arrumação, dispensar o que não presta; aspirar, varrer e despoluir os ambientes infectos, livrar-se de acúmulos, evitar tropeçar e se machucar devido a restos disso ou daquilo, esparramados por quase todos os cantos; dobrar, organizar, borrifar, redecorar, aspirar e tirar toda a sujeira lançada por debaixo dos tapetes, enfim deixar novamente habitável um lar que foi transformado para servir aos seus antigos e interinos ocupantes, definitivamente, é uma tarefa árdua. Eleito com pouco mais de cinquenta e cinco milhões de votos, Bolsonaro vem fazendo de uma faxina geral um desafio para que milhões de brasileiros possam se sentir novamente orgulhosos de sua própria casa. Com um discurso moralmente conservador e economicamente liberal, JB, entretanto, começa a se lambuzar com o mel com o qual adocicou a minha e milhões de outras bocas, durante a sua campanha. Com um detalhe: exagerou na dose e, no rastro de uma brutal ressaca, vem causando rupturas, incômodas consequências, por meio de atos originariamente compulsivos e desconforto entre milhões de brasileiros. Acredito piamente nas melhores intenções do nosso “capitão-presidente”, mas acredito que ele ainda está um tanto “desbussolado” em atitudes e decisões que vem tomando; algumas das quais absolutamente espantosas ou política e tecnicamente estranhas, infantis até. A sua sinceridade e a sua espontaneidade chocam positivamente, mas o seu primarismo assusta, principalmente quando comparado ao daquele que é típico do seu maior ídolo, Donald Trump, presidente de um país onde há um limite bem definido de até onde um chefe de governo local pode chegar com as suas diatribes. Sim! Bolsonaro está fazendo uma excelente faxina, mas, vez e outra, vem trincando ou quebrando o que se interpõe em sua arrumação, a ponto de tropeçar nas próprias pernas e ser proclamado pela imprensa britânica como um governante “sem noção” (revista The Economist). Como dizia o grande poeta Carlos Drummond de Andrade, “a festa acabou (...) a noite esfriou (...) não veio a utopia e tudo mofou”. Mas não quero que o nosso atual Presidente se ache “sozinho no escuro, qual bicho do mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar”. Você marcha, Presidente, mas para onde? Sossegue, abaixe o seu facho, ainda existem milhões de fiéis soldados compondo a sua tropa, seguindo-o e confiando na sua arrumação. E (ainda) orgulho-me de ser um deles. 

(*) Agente Social

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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