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Uberaba, 18 de novembro de 2019 -

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Gustavo Hoffay

Fartura que enoja

Embora uma juíza tenha suspendido a licitação para a compra de alguns itens para as faustas refeições dos ministros do STF, ainda assim aquela corte recorreu da liminar por meio da Advocacia Geral da União. Quanta falta de sensibilidade daqueles eminentes juristas para com milhões de buchos brasileiros e que têm de se sentir saturados em menos de vinte minutos. Até é possível imaginar-se a cena de um daqueles juízes deleitando-se sobre um medalhão de lagosta e camarões ao vapor, enquanto bebericando um Chardonnay e desde que criteriosamente envelhecido em barril de carvalho no mínimo por seis meses e sem se preocuparem por quanto tempo poderão fartar-se com a sua fausta refeição. Ah, um detalhe: a colheita das uvas para a produção do vinho deve ter sido de forma manual.  Aliás, tudo muito comparável ao que fez Nicolas Maduro em sua passagem por Istambul, depois de uma viagem à China. Ali o(ainda) ditador venezuelano fartou-se de uma refeição cujo valor representou entre dois e oito meses de salário mínimo na Venezuela e depois, ainda, saboreou um charuto de uma caixa com o seu nome em placa dourada. Francamente, o que tal atitude de um ex-motorista de ônibus e que se diz “presidente operário” diferencia-se das atitudes comensais de um grupo de ministros da mais alta Corte brasileira? O que diria um daqueles “nossos” juízes, a respeito da falta de condições mínimas para que milhões de cidadãos brasileiros possam ter um acesso digno à saúde e ao menos a uma decente refeição diária, imediatamente após se fartarem de lagostas e camarões, comprados com dinheiro público?  Por que apelam para salários melhores se o que recebem já impacta as contas públicas em quatro bilhões de reais por ano e considerando-se o efeito cascata sobre os salários do funcionalismo? É de dar nojo, causar aversão a qualquer um de nós, cidadãos produtivos ou aposentados, ações e reações de um órgão governamental que deveria servir de referência para a vida de mais de duzentos milhões de brasileiros! Pego-me a imaginar esses ilustrados senhores acusando e julgando autoridades governamentais que excedem em gastos a partir do mal uso do dinheiro público; paraliso-me de medo só de pensar na hipocrisia imposta em palácios de Brasília e no aceite popular a partir de humildes brasileiros residentes nos mais distantes grotões tupiniquins!... Elevem-se, senhores ministros; suas lindas palavras transmitidas ao vivo desde o plenário do tribunal aos mais distantes lares brasileiros edificam, mas os exemplos de um comportamento igual ao de Vossas Excelências, especificamente no caso acima citado, obscurecem e até aniquilam o que deveria ser a força criadora de belos e magnânimos exemplos de conduta profissional e de prudência pessoal.

(*) Agente Social

 

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