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Uberaba, 15 de novembro de 2019 -

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Gustavo Hoffay

Gilmar Mendes

Confesso sentir-me cientificamente impossibilitado de criticar e atacar as decisões do jurista, magistrado, professor, meritíssimo juiz do Tribunal Superior Federal e por consequência uma das autoridades máximas do Poder Judiciário nacional, o dr. Gilmar Ferreira Mendes. Mas, investido da honrosa qualidade de cidadão e rigorosamente em dia com todas as minhas obrigações fiscais, familiares, eleitorais, fazendárias, sociais e cruzeirenses, sinto-me sempre muito à vontade para expor a minha imensa paixão pelo nosso país e o meu recente e profundo sentimento de aversão e desprezo em relação a algumas das atitudes tomadas por aquele cidadão – acima referido – e que integra o governo do Estado brasileiro desde o ano de 2002, nomeado que foi para o cargo de ministro pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Com toda sinceridade, não consigo entender como uma pessoa, mesmo explorando e dando a conhecimento público todo o seu cabedal jurídico, consegue passar-nos uma impressão de quem está atravessando uma fase de aversão ao seu país e ao sentimento de justiça de dezenas de milhões de seus compatriotas. Seja essa a verdade e o que, sinceramente, espero que não seja, aquela exponencial figura da magistratura tupiniquim pode até chegar ao cúmulo de, conscientemente ou não, desnortear sentimentos sinceros a partir de uma ojeriza nacional e em grande escala. Diante de suas decisões, muitas vezes contrárias às da maioria dos seus colegas de Tribunal e avessas às opiniões populares, ele chega a passar a imagem de um jurista tecnicamente desqualificado, desesperado e desiludido, enquanto exprobrado pela sua própria consciência ante o cometimento de algumas de suas decisões. E o epílogo de tudo isso seria a constatação pública de que o referido ministro é, sim, tomado de uma completa ojeriza de muito daquilo que é justo sob o ponto-de-vista de quase toda uma nação. A sua recente decisão a favor da soltura de José Dirceu, por exemplo, passa-nos a impressão do quanto aquele meritíssimo juiz possa estar revoltado contra o povo brasileiro, contra as instituições do seu país e até mesmo contra si mesmo; uma revolta que pode levar ao desespero e o que já começa a ser tratado como uma doença mental, uma doença até mortal de que nos fala Kierkegaard. Ou seja, para aquele ministro já não é o povo brasileiro que tem ojeriza a ele, mas a própria insuficiência que o desespera. Uma insuficiência até desproporcional em se tratando de querer associar-se a um grupo de pessoas que desejam transformar esse país em uma espécie de “República Corporativa” e com ares de democracia. Finalizando, atrevo-me a enviar –daqui – um recado ao ministro Gilmar Mendes: lembre-se de que o erro glorifica a verdade e torna ainda mais bela a virtude; sinta que a justiça faz de ímpios, santos; de ignorantes, sábios, e de covardes, homens. 

(*) Agente social

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