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Uberaba, 23 de outubro de 2019 -

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Gustavo Hoffay

A Reforma

Verdade seja dita: essa tal reforma da Previdência já encheu as medidas. Em minha casa, quando esse assunto é trazido à tona por alguém da minha família, lanço mão do meu boné, afivelo a corrente na coleira da “Pretinha” e “caio no cerrado”. Ainda não entendo o tamanho de tão alvoroço e a quentura de tantas mentes. É tanta confusão e desordem em torno da tal “reforma” que até parece prescindirmos de uma legião de anjos para acalmar o ânimo de muitos. De repente, em qualquer esquina ou boteco surgem “filósofos” que trovejam e esbanjam uma duvidosa sabedoria em torno de tal assunto. Compreendem tudo a respeito de Previdência Social, parecem iniciados em todas as ciências que orbitam aquele assunto; são eruditos ou técnicos em governabilidade e em fundamentais conhecimentos a respeito daquilo que, repentinamente, passou a ser a “coqueluche” do verão.  E eu lá, no meio daquele buchicho atiçando o sururu. Sei de nada não! Cheguei naquela fase em que penso ser melhor ficar de “mutuca” e assuntar o que diz a massa, assistir a miséria profunda do tempo em que vivemos, lamentar o grande sofrimento dos lares sem ar, sem paz e sem pão, resignar-me diante da revolta íntima dos infelizes e da triste realidade de vida dos cortiços e favelas, a derramar críticas ao governo, de esquerda ou de direita. Tô no saracoteio e quero é falar e reclamar, não importa o que ou de quem. Mas, de repente, reavalio a minha conduta e torno ao assunto discutido aos quatro ventos: a tal reforma da Previdência. Aguentei ao máximo, até onde pude, mas fui vencido e resolvi falar. Ergo-me, pigarreio... silêncio. Todos miram em mim os seus olhares, e como se eu tivesse a fórmula mais certa para aquele momento, como a de cozinhar um ovo sem deixar queimá-lo. “Meninos e meninas, há quase vinte anos, mais precisamente em 1998, o Congresso Nacional fez uma reforma previdenciária: a Emenda Constitucional número 20 e que já havia sido a PEC 33/1995; promulgada em 15/12/1998 e que em nada, nada mesmo, atrapalhou a reeleição de Fernando Henrique Cardoso... em primeiro turno! E vejam que estranha coincidência: o presidente da Mesa da Câmara dos Deputados e que terminou por aprovar aquela PEC era ninguém menos que o sr. Michel Temer”. Embora políticos sejam como fraldas que precisam ser trocadas continuamente (como já dizia Eça de Queiroz), dessa feita parece-nos que a catinga, o rebuliço e o bafafá são os mesmos. Enfim, política é política, povo é povo e o negócio é agitar e protestar em busca de uma luz que nunca acende. E seja o que Deus quiser, atentando-nos para o fato de que esse ano teremos eleições e que o cenário atual é propício para a busca de popularidade a partir de quem deseja (re)eleger-se. 

(*) Agente Social

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