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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Viena, uma cidade paixão

Para Marcel Brion, “uma cidade é como um ser vivo: compõe-se de corpo e alma que agem e reagem entre si, seguindo a lei comum de todas as criaturas vivas, tem períodos de crescimento e declínio, porém todas as vicissitudes que a atingem, para sua maior vantagem ou desvantagem, são determinadas pelo fator geográfico: cabe a ela, como a todo organismo biológico, tirar proveito das ciladas que o acaso, ou melhor dizendo, a vontade e a intuição de seus fundadores lhe armaram, ao lançarem o primeiro marco em suas terras”.

Podemos pensar no corpo como o espaço geográfico e a alma, as pessoas que o habitam. As ruas simbolizam os sinais de crescimento que nos humanos aparecem como cicatrizes e rugas, principalmente em Viena, onde não houve traçados a priori, a não ser o Ring que ocupou o lugar das muralhas medievais depois da derrubada.

Viena cresceu ao acaso, com as camadas do passado se sobrepondo umas às outras, interpenetrando-se e combinando-se da forma mais natural e harmoniosa possível. Viena desenvolveu-se com a espontaneidade e a liberdade de um ser vivo, com a autenticidade de uma árvore que deita suas raízes onde bem quer e aspira de suas folhas toda a energia vivificante do espaço.

O Danúbio, que a atravessa, com sua característica de ser navegável, possibilitou uma fácil circulação, aberta a todos os sonhadores e aventureiros em várias direções, fazendo da cidade um ponto de encontro, onde aportaram alemães, italianos, poloneses, húngaros, boêmios, eslovacos, eslovenos, servos, croatas e um bom número de judeus.

Não havia problemas de “nacionalidades” entre os habitantes de Viena, por mais variadas que fossem suas origens, o que é questionado por alguns autores, que percebem nesta colcha de retalhos os traçados de separações sangrentas, que só se concretizaram ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, afetando sobremaneira a Áustria como um todo.

Conhecida mundialmente por suas tortas e cremes largamente consumidos nos cafés e residências vienenses, comprova o gosto dos seus habitantes pela boa comida e seu talento especial sincrético, capaz de reunir na cozinha influências eslavas, húngaras, italianas, alemãs e tchecas.

Viena também foi uma cidade industrial, mas, sobretudo a capital do objeto raro, refinado, precioso, tanto pelo material como pela mão de obra; o luxo dos grandes senhores, longe de despertar inveja ou ciúme, era considerado uma fonte de lucro para todos.

Em Viena, as palavras “natural” e “harmoniosa” se impõem a todo momento, onde a velha cidade, plena de história e histórias, conserva a bonomia e a simplicidade das pessoas mais velhas. É lá também que o Brasil encontra sua base imperial na figura da nossa Imperatriz Maria Leopoldina. 

(*) Psicóloga e psicanalista - ilceaborba@gmail.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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