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Uberaba, 22 de outubro de 2020 -

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Ilcéa Borba Marquez

Convergência entre a ciência e a ética médica

De repente as ações médicas passaram a ser motivo de preocupações da população que vive situação de calamidade pública nesta pandemia. Atualmente os brasileiros discutem infectologia, tratamento e prognóstico com a mesma frequência que antes discutiam política, mesmo estando em época pré-eleitoral. Estamos todos buscando conhecer e melhor prevenir/tratar os perigos para a humanidade que esta Covid-19 traz. Assim procuramos ensinamentos nas anteriores Guerras Mundiais, em especial a Segunda.

Temos extensa bibliografia além de filmes, documentários, lives e registros históricos. Destes elencamos experimentos com gêmeos; sobre congelamento; malária; gás mostarda; sulfonamida; a água do mar; esterilização; tifo; venenos; bombas incendiárias e altas altitudes; oriundos das contribuições de um grande grupo de médicos que aderiu ao Partido Nazista (45% dos profissionais da Alemanha). É inegável a alta contribuição para a Ciência Médica destes trabalhos que resultaram na chamada Operação Paperclip, onde vários deles receberam exílio do governo dos Estados Unidos.

No entanto, como em tudo sempre encontramos outro lado oculto que precisa vir à luz – a questão da ética médica. Estes experimentos foram realizados com os internos dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, em especial nos territórios alemães ou ocupados pela Alemanha nas invasões sistemáticas ocorridas. Muitos morreram como consequência das experiências e muitos outros foram assassinados depois dos testes para estudar o efeito das experiências na autopsia. Os que sobreviveram apresentavam mutilações físicas e/ou traumas psicológicos. É do campo da impossibilidade passar por estes processos sem marcas perenes no corpo e na alma.

Gostaria de citar alguns poucos exemplos: Joseph Mengele tinha interesses pelas crianças e, em especial as gêmeas. Seus estudos totalizaram 1.500 crianças das quais apenas 200 continuaram vivas. Ele tentava mostrar semelhanças e diferenças na genética e na eugenia, e sua atuação variou de injeção de produtos químicos diferentes para os olhos verificando em seguida a mudança de cores resultantes, como tentou também costurar gêmeos em conjunto para criar seres siameses. Todos estes experimentos eram feitos sem anestésicos ou assepsia. Em 1941, a Luftwaffe conduziu experimentos para aprender como tratar a hipotermia deixando prisioneiros em tanque com água gelada por até 3 horas ou nus, em campo aberto, com temperaturas abaixo de zero. Quando questionados, os médicos alegaram, em sua defesa, que não havia direito internacional relativo a experimentação médica. Será que a Organização Médica Mundial nos livra de experimentos?

Ilcea Borba Marquez – psicóloga e psicanalista
e-mail – ilceaborba@gmail.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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