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Uberaba, 12 de dezembro de 2019 -

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Ilcéa Borba Marquez

Barbaridade! A barbárie está de volta

Vídeos postados confirmam: a barbárie está de volta! Depois de uma revoltada surpresa, só nos resta a atitude denunciante, esperando que aqueles que estão mais perto da situação reajam adequadamente para que possamos “dormir em paz”. Adolescentes em sala de aula presenciam cena grosseira entre colegas durante uma discussão que deveria ser dirigida pelo professor, presente na sala de aula. A troca de ideias entre os alunos deveria ser consequente a um vídeo sobre “abuso de policiais”. A selvageria iniciou-se quando uma colega levantou-se gritando: “chupa meu pau seu filho da puta...”, recebendo a seguinte resposta: “quem tem pau sou eu, tu és uma mulher!”. Ela partiu furiosa para onde ele estava, dizendo: “quero ver você dizer isso na minha cara!”. O colega acertou um tremendo tapa na cara da menina e os dois caíram rolando no chão entre socos e tentativas de estrangulamento... Colegas conseguiram separar os incultos em luta corporal e xingamentos. A atitude permissiva do professor chama a atenção. Gostaria de saber se os objetivos daquela aula foram atingidos. 

Há pouco tempo, também assistimos vídeo com cenas agressivas entre meninas, no intervalo das aulas. O cenário é um pátio de colégio e uma jovem tenta abaixar a calça da colega, que reage, dando-se início a uma cena violenta, que termina quando uma delas cai ao chão e a outra pisa fortemente no seu pescoço e, quando percebe que ela havia desfalecido, para com as agressões...

Como fonte comparativa, lembrei-me de um vídeo recordando o ano de 1964, durante o Festival da Eurovisão, em que a jovem Gigliola Cinquetti, de 17 anos, se apresenta, vencendo o torneio, com a música “Non Ho L’età”. Sua performance encanta pela perfeição do canto sem nenhum exagero, e mesmo por uma simplicidade também presente na forma de vestir, fazendo-nos pensar na doce meiguice daquela época. Longe de mim o desejo de um modelo de 1964 para os atuais 2019, basta pensarmos que existe uma forte diferença entre uma cena e outra. O gênero feminino exibe forte tendência à aproximação ao gênero masculino a ponto de não conseguirmos diferenciar um do outro.

Retomando o primeiro vídeo aqui referido, percebemos uma clara identificação da menina com o gênero masculino ao atribuir-se um “pau”. Nisso presenciamos uma recusa e uma revolta. Recusa ao corpo biológico feminino que possui e uma revolta dirigida ao corpo biológico masculino que deseja possuir. O gatilho de toda manifestação selvagem decorre da afirmação feita pelo colega, que ela tenta desesperadamente negar: eu sou homem e você é uma mulher! Eu tenho pau e você não tem! 

(*) Psicóloga e psicanalista
e-mail:
ilceaborba@gmail.com

 

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