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Uberaba, 21 de outubro de 2019 -

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Sérgio Tiveron Juliano

Eleições da OAB - do Fracasso pelo Sucesso à Vitória Expressiva

Para um grande filósofo da Ciência (POPPER), todo o nosso conhecimento é hipotético, por ser uma adaptação a um ambiente parcialmente desconhecido, que pode, às vezes, ser bem-sucedido e, muitas vezes, malsucedido, resultado de tentativas antecipatórias e erros inevitáveis e de eliminação de erros. Alguns dos erros são eliminados pela eliminação do seu portador. No entanto, outros erros escapam e essa é uma das razões por que somos todos falíveis: a nossa adaptação ao meio ambiente nunca é ótima, e é sempre imperfeita.

A nossa sobrevida depende das expectativas e adaptações que incorporamos sobre o nosso ambiente, mas tais avaliações só podem evoluir se formos capazes de agir, a fim de antecipar riscos. Ver o problema, contudo, pode ser o primeiro passo para sua eliminação. E são poucos os que veem o problema. Conhecimento para a solução dos problemas, entretanto, não se obtém apenas abrindo os olhos e deixando os dados, fornecidos pelos sentidos ou naturalmente obtidos, entrar num cérebro que irá solucioná-los.

A resolução de problemas envolve sempre avaliações, e, com estas, valores. Apenas a vida traz ao mundo problemas e valores.

Dos valores que inventamos, segundo POPPER, dois são especialmente importantes para a evolução do nosso conhecimento: uma atitude autocrítica – valor em conformidade com o qual devemos sempre nos ensinar a nós próprios a viver – e a verdade – valor em conformidade com o qual devemos sempre procurar que os nossos saberes (teorias) vivam.

Ao traçar a diferença entre o homem e a ameba, Einstein afirmou que ambos trabalham com o método de tentativa e erro. A ameba tem de odiar o erro, porque morre quando erra. Mas Einstein sabe que só podemos aprender com os nossos erros e não se poupa a esforços para fazer novas tentativas de forma a detectar novos erros e eliminá-los. O passo que a ameba não consegue dar, mas que Einstein pode, é atingir uma atitude crítica, autocrítica, uma abordagem crítica. É a maior de todas as virtudes que a invenção da linguagem humana coloca ao nosso alcance, e que se acredita tornar possível uma paz.

O alento que a tão cantada “vitória” da chapa situacionista (OAB MAIS FORTE) nas eleições últimas pode conseguir, para que seus representantes não sejam “fracassados pelo sucesso”, é assumir a permanente capacidade de autocrítica e atingir uma atitude tão crítica de suas ações, de forma a aprender com os próprios erros, o passo que a ameba de Einstein não consegue dar. Ver e encarar os problemas, não esconder a cabeça como avestruz, para só assim resolvê-los e tornar possível uma relativa paz entre seus representados.

Não se olvide que os votos conquistados apenas asseguram uma frágil representação, mesmo suficiente, pois são em menor número do que a soma dos votos dados à oposição, os votos nulos e brancos mais os votos dos que nem se dispuseram a votar, por razões não tão obscuras.

Para assegurar vitória expressiva, deve a chapa situacionista expender esforços no sentido de unir todos em torno da necessidade de se cumprir fielmente os objetivos estabelecidos nos Estatutos da nossa entidade. Entre nós não deve haver maioria ou minoria, já que o exercício democrático exige que todos sejam e estejam devidamente representados. Afinal, somos uma só classe: a do(a)s advogado(a)s.

Que, ao fim do mandato, nossos representantes possam assim se manifestar: “Mas deixarei que o pouco que aprendi saia para o dia para que alguém melhor do que eu possa adivinhar a verdade, e na sua obra seja capaz de provar e censurar o meu erro. Aí, rejubilarei por ter sido o meio através do qual essa verdade veio para a luz” (Albrecht Dürer, artista e cientista). 

(*) Advogado

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