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Uberaba, 30 de junho de 2022 -

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Politicagem daninha (⁕)

Tenho em mãos o Indicador de Uberaba – 1917, com o subtítulo Personalidades e Instituições. Um presente do amigo Hélio Luiz do Nascimento. Com sua barba de largura e comprimento duas vezes maior do que o rosto, está lá Frei Eugênio Maria de Gênova, o fundador da nossa Santa Casa, inaugurada em 14/06/1898. Atribui-se a ele grandes empreendimentos locais e a lista é grande. Do referido Indicador – 1917, destaquei sobre o capuchinho: “...no seu tempo, no remoto anno de 1856, já pleiteava a construcção de uma ponte sobre o Rio Grande unindo São Paulo a Minas e Goyaz, e já batia-se com ardor pela canalização das águas do Rio Uberaba para abastecimento de nossa cidade, problema ainda hoje relegado pela politicagem daninha que tantos males e damnos traz ao município”.
Observa-se que o problema hidráulico de Uberaba, apesar de ser definida como “águas claras e cristalinas”, vem de muito longe. Há 158 anos, portanto, o rio Uberaba já era a menina dos nossos olhos. Frei Eugênio, com sua argúcia, mostrou-nos a direção, efetivamos a sua ideia, mas até hoje não fomos capazes de ampliá-la nas proporções devidas.
Errou o Informativo-1917 em dizer que o nosso abastecimento se submete à politicagem daninha? Por certo que não, e ainda o frei enxergou mais de um século e meio à frente. O descompromisso foi e é o responsável pela falta de reservas hidráulicas para responderem à seca que há 51 anos bate à nossa porta. Senão vejamos:
O jornal Lavoura e Comércio de 1º/10/1963 trouxe a seguinte notícia: “O tempo em Uberaba continua bom, com névoa seca e calor intenso. Não há perspectivas de chuvas. O uberabense continua sofrendo os efeitos da longa estiagem que já supera sete meses”. Francisco Lopes Velludo, vereador idealista, arregaçou as mangas e implementou o nosso serviço de captação de águas no já desfalcado rio Uberaba. Sua obra teve tanta repercussão que lhe rendeu a eleição à Prefeitura, porém não ascendeu ao cargo porque mudaram as regras do jogo político em pleno campeonato.
No advento Chico Velludo, éramos bem menos de cem mil e hoje suplantamos os trezentos mil habitantes. Passado mais de meio século, só tivemos a ajuda recente do rio Claro, somada a alguns poços profundos, e nada mais. O nosso rio Uberaba de hoje é o mesmo de 1856, que passou por 1963 e daí só declinou. E agora? Espero que a politicagem não seja tão daninha e resolva o problema do nosso abastecimento.
(⁕) Texto publicado pela primeira vez no dia 17/10/2014.
 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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