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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Linguagem neutra

 Confesso que não estou entendendo aonde os entendidos em filologia, linguística ou gramática querem chegar. Sem entrar no mérito, estou aqui para aprender e com isso não falar asneiras.

Tivemos uma reforma ortográfica em 2009, surgida de um acordo entre os Países de Língua Portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Absorvi do grande colunista Ruy Castro que as dificuldades continuam, tanto que é difícil adequar àquelas mudanças, apesar de passados 12 anos. Ou seja, não assimilamos bem ainda o que foi elaborado entre países que falam a mesma língua.

Nas reformas ortográficas, a Academia Brasileira de Letras sempre é chamada a emprestar seu foro e, assim, o novo palavreado é lançado na praça. Desta vez, estou vendo o Sodalício literalmente calado.

Estados da Federação, dia desses, receberam do Supremo Tribunal Federal delegação para legislar sobre a Covid-19 e outros assuntos. Hoje estão impedidos (em caráter liminar) de proteger o nosso idioma pátrio. Rondônia teve cassada lei que proibia a Linguagem Neutra no âmbito de suas escolas públicas e particulares. Quatorze outros Estados estão na mesma mira.

Afinal, no que importariam as mudanças? Ou, qual seria o ganho real para a sociedade, se ela, a grande beneficiária, sequer está sendo ouvida. Defendo as inclusões em todos os sentidos, mas pergunto como eu escreverei a frase a seguir? Juraci é um aluno aplicado, por isso é bem avaliado. Seria assim? Juraci é um alune aplicade, por isso é bem avaliade.

Nessas horas me vem à recordação o saudoso amigo Padre Prata, que abominava palavras inventadas para complicar a vida do leitor. Não sei se vou me acostumar com tanta modificação!
De uma professora (que não declinou o nome), nas redes sociais, anotei: “E mesmo que fosse o caso, o português não aceita gênero neutro. Vocês teriam que mudar um idioma inteiro pra combater o preconceito”.

Temos prioridades para cuidar. A linguagem neutra é prioritária?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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