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Uberaba, 27 de maio de 2020 -

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Euseli dos Santos

Resumo da ópera de 2019

Ufa! 2019 está terminando. Foi um ano difícil para o povo brasileiro. Nem é preciso pensar muito para chegar a essa triste constatação. Basta relembrar os principais fatos ocorridos neste ano, é cada história que parece duas, como diz o ditado popular. Isso fica claro, também, nas rodas de conversa. Você já percebeu, caro leitor, que sempre há alguém que confidencia uma dificuldade financeira ou que compartilha um episódio lastimável atual?! 

Voltando no tempo: lá no finalzinho de janeiro, todo país assistiu ao mar de lama submergir centenas de vidas e parte das memórias de uma cidade. Foi duro carregar o “fardo” da ganância da mineradora Vale mais uma vez. Assim, Minas Gerais foi novamente vítima da riqueza de seus solos.

Após algumas semanas, fomos acordados com a notícia da morte de 10 meninos do time de base do Flamengo. O acontecimento expôs a incompetência dos órgãos de fiscalização. Sem contar a atitude arrogante da diretoria. O evento causou alarde. Falou-se muito, mas como sempre... A impunidade reinou. O resultado está aí: o clube acaba de ganhar o título de campeão da Libertadores. É isso mesmo, prezados governantes?!

Como os primeiros 2 meses foram dramáticos, a população se perguntava: o que nos aguarda ao longo do ano? Por sorte, as tragédias deram uma trégua. Não que tenha sido fácil. Infelizmente, a realidade está bem distante de um cenário tranquilo.

O ano de 2019 também foi o ano da posse do candidato de um partido diferente. O começo não foi nada promissor. Teve ministra declarando tolices como rosa é cor de menina e azul é de menino e fazendo críticas ao conhecimento de ciências. Ambas as falas denotam um anacronismo sem igual. Por isso, logo, trataram de deixá-la de lado para evitar outros deslizes verbais.

Claro que o novo presidente contribui e muito para o show de patacoadas. Como esquecer o post vulgar publicado durante o carnaval? Ou os discursos nepotistas em favor da candidatura de seu filho para a embaixada americana? Fora as justificativas preguiçosas para explicar o aumento das queimadas das matas nativas. Para nossa tristeza, elas continuam ardendo em chamas em várias partes do Brasil.

O tempo foi passando e dentre tantas polêmicas quanto ao seu conteúdo, foi aprovada a reforma da previdência em outubro. Uma das resoluções mais conflituosa é aquela que determinou o aumento de tempo de contribuição. Será que não foi um tiro no próprio pé? Com a população idosa crescendo cada dia mais. Teremos trabalho para toda essa gente? Se hoje são mais de 13 milhões de desempregados, imagine daqui a algumas décadas.

É evidente que este item é apenas a ponta do iceberg. Há muitos outros pontos que podem estar em desacordo com a realidade. De qualquer forma, temos que ter esperança de que dias melhores virão.

Talvez esse seja o grande mérito do povo brasileiro: a esperança. A crença de dias melhores por aí. Só assim poderemos eliminar o sobrepeso que transportamos ano após ano. Porque, em 2019, o fardo pareceu pesado demais para carregar, transgredindo a interpretação da velha sabedoria popular.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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