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Uberaba, 16 de outubro de 2019 -

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Euseli dos Santos

Polaridades opostas não se repelem, se atraem

A física ensina que cargas de polaridades opostas se atraem. Está ali documentado, provado e comprovado. Não há dúvida alguma quanto a essa tese, certo? E se ela fosse aderida também no campo das ideias? 

No caso, se a tese fosse adotada pela maioria das pessoas, talvez, não veríamos incidentes lamentáveis como os das últimas eleições, em que o extremismo causou rebuliço nas ruas e gerou um festival de discursos verborrágicos dos polos opostos – representados pelos movimentos da direita e da esquerda, cujo apogeu foi o atentado a um presidenciável.

A violência transmitida à exaustão pelas mídias ratificou explicitamente a intolerância a tudo que se “opõe a mim!”. Nenhum evento poderia demonstrar esse sentimento com mais clareza! No final, o ataque acabou se mostrando desastroso, pois o ato não só provocou ondas de compaixão para com a vítima, como também elevou às alturas suas possibilidades de chegar ao poder. Entre feridos e um sobrevivente, o resultado não poderia ser outro diante da barbárie. 

Claro que o radicalismo não é exclusividade do nosso país. O mundo vive um processo intenso de revisão de valores, ideologias e comportamentos. Todos querem dar opinião e rechaçar as ideias contrárias, mas espera aí: por acaso não são as divergências que nos tornam genuinamente humanos? Afinal, a palavra “indivíduo” se refere à individualidade. Aliás, são as diferenças que instigam a sede de conhecimento, a busca contínua por soluções e mais... o progresso da humanidade.

A não aceitação já custou muito caro para os seres humanos ao longo de sua existência: a primeira e a segunda Guerras Mundiais e a Guerra Fria são os exemplos mais recentes de horror às oposições. Aliás, a extinção da espécie humana esteve bem perto de acontecer.

Felizmente, a época das grandes guerras foi ultrapassada, mas ainda há muito “chão” para percorrer quando o assunto é aceitar o diferente. Quem sabe não devemos seguir a teoria da física? Parece absurdo!? Pior que não, povo brasileiro. Se adotássemos a lei das polaridades opostas como filosofia de vida, estaríamos em uma situação bem melhor. Ah, disso tenho certeza, meu caro leitor!  

(*) Advogado militante em Uberaba

 

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