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Uberaba, 16 de outubro de 2019 -

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Julia Castello Goulart

Eu, tu, ele e nós falamos de política

Política é só o que comentam. Política é o assunto nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp, nas rodas de conversa de amigos e família. Pra quem está cansado deste assunto, não se canse de falar de política. Falar de política é necessário para entender a importância do seu voto, do nosso voto, para escolher os representantes que vão governar todo um país. O que se está cansado é de se falar de política, mas não se falar de propostas. É falar de política, mas não se falar dos candidatos. É falar de política, mas não falar sobre educação, saúde, segurança. Falar de política no nosso país, nesse momento, vésperas das eleições, é falar de política, menos de política mesmo.

Ninguém parece estar preocupado com as propostas de nenhum candidato. Estamos preocupados demais em saber se ele está do lado ou não de um determinado partido, de um determinado ex-político que era até então candidato, que está preso. Ninguém parece estar preocupado com as propostas para a saúde pública, que está e talvez sempre esteve em crise. As pessoas morrem não de doenças no nosso país, mas na fila de espera, por não ter atendimento, por não ter remédio.

Quanta hipocrisia nosso país. Não sabemos lidar com os bandidos que traficam armas. Não sabemos lidar com os ex-presidiários que não encontram fora da cadeia nenhuma outra oportunidade. Não sabemos lidar com a nossa educação ainda deficiente, que obriga os estudantes, ao invés de pensar, a decorar para uma prova de vestibular. Não sabemos lidar com parentes da família que se assumem gays, lésbicas, assexuais, transexuais. Não sabemos lidar com o menino brincando de boneca e a menina, de bola. Não sabemos lidar com tanta coisa e ainda queremos armar nossa população? Para nos defender de quem? De todos nós, claro.

É verdade que estamos cansados. Cansados dessa corrupção que nos faz sentir vergonha dos políticos que nós próprios elegemos. Mas, brasileiro não sabe votar, dizem, e nós, ao invés de fazer uma autocrítica, culpamos um único Estado, o Nordeste, pela péssima escolha de governantes. Estamos tão preocupados em dizer “vai para Cuba” ou “vai para os Estados Unidos”, dependendo do lado que você grita, que não percebemos os que entram e tentam nova vida em nosso país. Preferimos bem cegamente dizer que eles estão roubando nossos empregos e os expulsamos da forma mais violenta possível de nossas fronteiras.

É, falamos no Brasil de política, menos realmente de política. Porque se falássemos mais de política e menos de qual extremo, qual caixinha você pertence, pensaríamos mais #elesnão do que apenas #elenão. Porque nenhum extremo na nossa democracia é válido se não queremos ser silenciados, como já fomos um dia. Mas é verdade, negamos. Negamos tudo no Brasil que não concordamos. Negamos até que um dia será tarde demais.

 

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