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Uberaba, 04 de julho de 2022 -

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Redes sociais e as relações humanas

Redes sociais e as relações humanas

Insistentemente criamos mecanismos e artifícios que aproximam de nós as pessoas que desejamos por perto. Forçosamente diminuímos a saudade, a espera e o “não saber dele ou dela”. Somos corpos sem contato. Compartilhamos excessos de pensamento e escassez de presença. Mal percebemos que nossa maior companhia, à qual dedicamos maior parte do nosso tempo, transformou-se em um objeto tecnológico, em uma tela. Mas não é qualquer tela, eis o fetichismo dos produtos criados pelo capitalismo na atualidade: grande parte da humanidade se comunica hoje, ao vivo, a cores e em tempo real.
Há uma inclusão cada vez maior à vida tecnológica moderna, e uma grande massa da população mundial já mudou o foco do seu olhar, desviando-o das paisagens, das companhias presentes e de tudo mais que há no momento presente e, inclusive, do trânsito das cidades. Além disso, grande parte das pessoas se cria e se recria pelas redes, inventa-se, personaliza-se, baseando-se em um padrão instituído pela mídia. É possível lançar-se, através das telas, para dentro de um padrão daquilo que é esperado pela sociedade, que cria cada vez mais representações quebrantadas de beleza e outros “encantos”. Enganosamente se diminuem formas de sofrimento psíquico, de baixa autoestima, de solidão, de falta de identificação, e até mesmo de não inclusão social. Estamos nos enraizando cada vez mais a essa forma de vida “touch screen”, uma vida em que as pessoas se “representam” ao mesmo tempo em que nos “representamos” a elas, quase sempre de forma diminutivamente real, vivaz.
É possível perceber também algumas formas de sofrimento psíquico relacionados diretamente ou indiretamente às redes sociais. Há um aumento desmedido de exposições da vida pessoal e íntima das pessoas, uma alarmante exposição de sentimentos diversos, tais como frustrações, desejos, arrependimentos e motivações. Muitos seres humanos se transformam, na atualidade, cotidianamente, em seus próprios paparazzos, denotando uma necessidade, por vezes extrema, de “serem vistos” ou, mais sucintamente, de reconhecimento.
Além disso, pesquisas já comprovam que o uso excessivo das redes sociais, quando há predisposição do sujeito, podem aumentar sintomas relacionados à depressão e à fobia social. Esclareço aqui que não é qualquer sujeito que possui uma predisposição a desenvolver determinados sintomas, e que é necessário compreender cada indivíduo em seu todo biopsicossocial, para devidamente traçarmos um perfil do mesmo, e mais, para compreendermos a relação que ele estabelece com esses objetos tecnológicos e as redes sociais.

Larissa Cruz
Psicóloga Clínica
CRP 04/42027

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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