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Uberaba, 20 de setembro de 2021 -

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Sandra de Sousa Batista Abud

Afeto e Rejeição

Quem nunca sofreu por amor?

Quem nunca perdeu alguém amado?

A dor da perda de alguém que se ama é imensa, seja pela morte ou por qualquer outro motivo. Essa experiência dolorosa geralmente altera o equilíbrio emocional do indivíduo, atingindo a autoestima.

Amar é ficar vulnerável.

Amar é perder parte do domínio sobre si mesmo.

Amar é certificar-se que o controle sobre as atitudes e sentimentos de outra pessoa – a amada – não é possível.

E como conquistar o ser amado?

A conquista de alguém implica sensibilidade, comunicação, negociação, flexibilidade, renúncia, diálogo... A realidade, a fantasia, as expectativas, a ansiedade e a insegurança interferem negativamente no andamento dos relacionamentos.

E o medo da rejeição?

São imprevisíveis as situações e experiências novas. A ilusão do controle dos fatos e sentimentos existe, mas é apenas erro de entendimento ou percepção. A exposição a uma nova experiência é sempre desconfortável e cheia de ameaças – essencialmente nas relações afetivas –, sendo necessário estar atento ao princípio de realidade para que um desequilíbrio emocional, ou seja, uma desestruturação não aconteça, após uma decepção. A ansiedade incontida, muitas vezes, impede que o relacionamento se desenvolva no seu devido tempo, proporcionando a segurança tão desejada.

Cada relacionamento tem seu tempo de desenvolvimento. A necessidade de segurança do sentimento do amor do outro pode acelerar o final de relações afetivas.

Perdas fazem parte da vida de todos os indivíduos e o luto e a tristeza por algo perdido são esperados. Entretanto, em alguns casos acontece a desestruturação emocional do sujeito pela perda experenciada. O medo e as dificuldades para consolidar relações serão mais acentuados quanto mais fortalecidos forem os mecanismos de defesa neuróticos, os quais determinam o comportamento das pessoas nos relacionamentos. Comportamentos ambíguos são gerados pelo medo inconsciente da rejeição, propiciando uma postura bastante crítica do outro, impossibilitando relações de afeto e provocando a indesejada rejeição.

Como evitar esse tipo de comportamento?

Conforme especialistas, a capacidade de dosar as idealizações e os mecanismos de defesa neuróticos é “trabalhada” ou “educada” nas fases iniciais do desenvolvimento do indivíduo. E as vivências pessoais, desde o nascimento, serão determinantes para que a pessoa tenha uma estrutura psíquica muito vulnerável e desestruturante na ocorrência de perda de vínculos de afeto. Traumas e ambientes desfavoráveis ou insuficientes durante a formação primária do sujeito podem provocar interrupção do amadurecimento e da maturidade.

O psicólogo PhD Roberto Rosas Fernandes declara em seu livro Abismos Narcísicos: “O indivíduo imaturo possui um narcisismo que não foi elaborado nem integrado em seu processo de amadurecimento. Ele dá respostas emocionais muito primitivas em seus conflitos afetivos, já que possui uma expectativa irrealista em relação ao outro, que invariavelmente será quebrada...”

Como cuidar disto?

Um trabalho terapêutico que oferece um campo afetivo e seguro poderá resgatar o desenvolvimento emocional estacionado, espaço este onde a pessoa possa encarar seus medos e defesas, fortalecendo- se delas e se libertando.

Sandra de Sousa Batista Abud
Psicóloga Clínica
sandraba@uol.com.br

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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