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Uberaba, 20 de setembro de 2021 -

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Sandra de Sousa Batista Abud

Vidas brasileiras, vidas atingidas

Abraços, encontros, família, aconchego de pai, mãe, avó, avô, filhos, netos, sobrinhos, amigos, festas, escola, estudos, trabalho, visitas, passeios, cafés, shows, cinema, teatro, encontros, contatos... carinho, presença que se curtia antes e agora... não mais, devido à pandemia.                                                                                                                           

Os fatos acontecidos ultimamente e as ameaças de novos episódios semelhantes estão difíceis de suportar. O antes não foi fácil, o agora está doloroso. E o depois? O futuro? Que consequências devastadoras ainda virão? Os riscos aumentam sem que se possa mensurar a proporção do seu alcance.

Os profissionais da Saúde batalham nesse triste cenário, no atendimento emergencial. Eles também, além de sobrecarregados, perderam familiares e amigos e estão sob cansaço físico e emocional. Doloroso processo em que é necessário atender ainda àqueles que sofreram perdas de entes queridos em ações reparadoras. Vidas humanas são arrebatadas a todo momento!

Como reagir?

Estamos em uma guerra e o inimigo é invisível. É um vírus terrível. A iminência de se contrair a doença é constante, causando uma interrupção de planos e projetos. Extinção de modos de vida, desempregos, bens materiais perdidos, falta de alimentos, escolas fechadas, hospitais lotados...

E surgem as perguntas: Existe um lugar seguro? Onde é este local? A sensação é que há um alarme de fuga, porém, as pessoas não foram treinadas para fugir, ou não há para onde ir.

Grande é o levantamento das perdas?

As imagens de tristezas são leitos hospitalares repletos, cemitérios improvisados, e familiares que, sem despedidas, não voltarão para casa.

 O luto existe, mas como mecanismo de sobrevivência, criam-se estratégias para seguir adiante. A elaboração de recursos simbólicos acontecerá no tempo de cada um, de cada família. Nada de imposições?

Os conflitos sociais originados pelas rupturas sociais intensas e os problemas econômicos provocados pela paralisação das atividades de trabalho e dos empreendimentos são muitos.

Os estudantes, o que perderam, o que estão perdendo ainda?

E o voluntariado?

Conflitos emocionais como depressão, violência doméstica, aumento de consumo de álcool e de drogas, ansiedade, insônia, choro fácil, agressividade, entre outros, aumentaram bastante, tornando-se necessária a ampliação da rede de cuidados. Neste contexto, além da dor da perda, a violência imposta aos corpos das vítimas agrava a dor dos familiares e amigos. Danos emocionais, provocados tanto pela exposição à situação quanto pela possível ocorrência de um contágio, acontecem.

 O que esperar?

Urge o apoio necessário aos mais atingidos na pandemia, percebendo a comunidade, pensando em organização de novos projetos de vida, reforçando as relações afetivas familiares e comunitárias, as quais dão sentido à vida, confirmando a identidade individual.

Urge atendimento à demanda mental e atenção psicossocial aos afetados.

 Urge que cada um saia melhor da pandemia, com um processo elaborado de se reconhecer enquanto pessoa atingida e de participar da luta coletiva que tem a potencialidade de construir saúde, de propiciar sujeitos críticos e emancipados.

Urge vacinas para todos.

E a luz no fundo do túnel?

As luzes, não só a luz, e, neste momento, elas não estão escondidas, estão bem claras para serem usadas sempre, e na medida da possibilidade: o não à aglomeração, a higienização indicada, a máscara e a vacina. Ah! A tecnologia que permite o trabalho e os contatos online também é uma luz.

Sandra de Sousa Batista Abud - Psicóloga Clínica - Sandrasba@uol.com.br

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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