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Uberaba, 20 de setembro de 2021 -

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Sandra de Sousa Batista Abud

Falando de abraço

Qual é o sentimento que a imagem de uma mãe com o filho envolvido em seus braços transmite? Amor.

Qual é a sensação que a visão de uma criança abraçando o seu animalzinho de estimação representa? Carinho.

E o cavaleiro ou a amazona cingindo o pescoço de seu amigo cavalo, com tanto zelo e apego, que impressão revela? Afeto.

Esse ato de apertar entre os braços alguém ou algo, essa ação de cercar o que é amado, mantendo-o junto ao peito é o abraço, é o amplexo.

Abraço é a demonstração de afeto, de carinho, de amor.

Abraço é fusão, é entrelaçamento, é junção ou união de pessoas, é demonstração de amizade.

Abraçar é cercar, é envolver, é circundar algo que se quer bem.

Entretanto, pode-se abraçar sem usar os braços, com a visão – Do alto, pode-se abraçar toda a cidade... Do alto, pode-se deixar envolver pela natureza inteira... Abraço tudo que alcançar com a vista...

Abraçar é abranger, abarcar – As águas abraçavam várias ilhas... Aqueles abraçaram a causa dos discriminados...

Quando é que não se abraça de fato? Quando o abraço não é concreto? Isto acontece quando se o abraço impessoal, aquele amplexo que é apenas falado, que não acontece realmente. Este é indício de mínima intimidade, mas que é também usado entre pessoas desconhecidas. No Brasil, é muito utilizada esta forma de “abraçar” ao se despedir dizendo “um abraço” ou “abraços” simplesmente. Em cartas também se despede assim, com abraços impessoais.

A internet também usa sua linguagem para o amplexo impessoal, onde este pode ser representado com dois colchetes [ ]s, ou dois parênteses (  )s, ou “abç” ou  “abs”. Econômico, não?

Abraçar é perfilhar – Abracei-a como filha.

Deixar-se abraçar é reconhecer o afeto.

O abraço é a forma de envolver externamente alguém amado, é o modo de externar a afeição – o afeto é interno, o abraço é externo.

O uso do abraço depende da cultura do lugar, como forma de demonstração de carinho de uma pessoa para outra. Através do amplexo pode-se cumprimentar ou expressar sentimentos como carinho, amor, compaixão, saudade, congratulação, terror, proteção... Indicando familiaridade, algumas vezes junto a um beijo, o abraço é uma forma de comunicação não verbal. Conforme a cultura, a relação, o contexto, o abraço possibilita ao indivíduo expressar amor, amizade, simpatia, fraternidade e, diferentemente de outros tipos de contato físico, este pode ser realizado em público e em ambientes privados, sem críticas hostis, em diversas religiões e culturas, independente de sexo e idade.

Exprimindo uma conotação sexual, na cultura popular brasileira o “amasso” é o nome dado ao abraço.

E o abraço dos brothers no BBB? É um abraço de irmão?

Amplexoterapia, conforme o nome, é a terapia do abraço, indicada para o tratamento contra a tristeza e a depressão. Neste contexto, o abraço é uma transmissão afetuosa de emoções, como amor, paz e alegria.

Dançar com alguém é abraçar e ser abraçado, embalados pela música. Dançar sozinho é abraçar a si mesmo.

É o amor que faz os corpos se abraçarem.

Coisas também abraçam e são abraçadas. Uma querida árvore é abraçada por um ser humano, assim como uma grande árvore, não menos amada, pode ser envolvida nos braços de várias pessoas de mãos dadas. É o abraço à natureza. E o abraço aconchegante de uma estimada cadeira no aconchego do lar, não é um mimo?

Em tempo de pandemia, “aquele abraço,” o da música, de longe, mas não menos carinhoso, e ainda o abraço virtual, on-line, com gestos e repleto de afeto, são os abraços do momento.

 

 

Sandra de Sousa Batista Abud

Psicóloga Clínica – sandrasba@uol.com.br

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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