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Uberaba, 04 de dezembro de 2021 -

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Karim Abud Mauad

Não pinga ni mim

A vida é muito interessante e nos prega peças incríveis. O dia 16/08, até recentemente, trazia-me apenas boas recordações, aniversários de amigos (as), uma data especial na minha vida com Flávia, minha mulher, até que neste dia no ano passado perdi um amigo irmão muito querido, Caio Narcio. A cada dia que vivemos, esta perda fica mais latente e dolorida. A vida segue seu rumo, e no dia 23 agora sua pequena Anna, fruto do seu amor com Ana Lucília, completa 8 meses. Fatos assim fazem a gente pensar e repensar a vida. Na canção “Tocando em Frente”, composta por Almir Sater e Renato Teixeira, ela diz:

“Ando devagar porque já tive pressa / E levo esse sorriso / Porque já chorei demais / Hoje me sinto mais forte / Mais feliz, quem sabe / Só levo a certeza / De que muito pouco sei / Ou nada sei / [...]

É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida / Seja simplesmente / Compreender a marcha
E ir tocando em frente / Como um velho boiadeiro

Levando a boiada / Eu vou tocando os dias / Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou / [...]

Cada um de nós compõe a sua história / Cada ser em si / Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz...”.

Hoje, infelizmente, não me sinto mais forte, ando no passo com o sentimento de andar devagar para sentir a marcha e tentar ir tocando em frente.

O Brasil não nos anima e este sentimento nos faz repensar nosso futuro e dos familiares. O Brasil parece voltar ao Ame-o ou Deixe-o. O Brasil nos impede de pensar e agir com racionalidade. O Brasil errou o passo e o compasso. O Brasil emburreceu.

A todo momento que penso que pior não pode ficar, aparece um fato para deixar tudo ainda mais desagradável, até repulsivo. Os últimos acontecimentos entre os Poderes da Nação demonstram isso.

A vida é feita de ciclos, mas nossa maré anda baixa faz muito tempo; creio que desde 2014. E, quando achamos que vai melhorar, aparece sempre alguém para deixar tudo ainda mais denso, tenso, desanimador.

A pandemia nestes dois últimos anos nos enclausurou, entristeceu, ceifou vidas, mutilou famílias, empobreceu a todos financeira, física e mentalmente. O quadro parece não preocupar quem precisa agir para levar o país para um porto seguro.

A letra ainda nos ensina que cada um de nós compõe a sua história, e pergunto: Qual será nossa história?

Só espero continuar encontrando meus amigos para prosas e prazeres, mas espero que sem pinga ni mim, ou sem respingar em mim. A panela pode ser velha e o menino estar na porteira, mas só isto. Eu até gosto e perdoo o Boiadeiro Errante, desde que ele se limite a tocar apenas o gado.

Apesar dos pesares, ainda quero votar livremente. Ainda quero escolher meus governantes pelo voto livre.

Quando setembro chegar, gostaria de falar das flores, com chuva para florir.

 

Karim Abud Mauad  

karim.mauad@gmail.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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