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Uberaba, 04 de dezembro de 2021 -

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Karim Abud Mauad

Naquela Mesa

 “Naquela mesa ele contava histórias que guardo na memória e hoje eu sei de cor...

Naquela mesa ele juntava gente e contava contente o que fez de manhã...”

Com parte dos versos da letra de Sérgio Bittencourt, imortalizada na canção de Nelson Rodrigues e Raphael Rabello, começo este artigo saudoso, reflexivo e de fato meio entristecido.

As saudades convivem conosco sempre; a letra, uma das mais belas homenagens escritas feitas por um filho ao seu pai, neste caso, do Sérgio para o Jacob do Bandolim. Esta canção acalenta gerações ao longo dos tempos e demonstra amor, respeito e admiração entre pais e filhos. Assim deveria ser sempre, mas, infelizmente, não é.

Os índices, inclusive do aumento da violência contra crianças no país, e na nossa Uberaba, medidos pelos dois (2) Conselhos Tutelares da cidade demonstram muito deste descaso filial por diversos motivos, e, pior ainda, sabemos que são índices incompletos, mascarados pela pandemia, mas esta ponta do iceberg apenas retrata o desarranjo familiar existente. Muitos filhos não terão os motivos do autor para exaltar saudades do pai, uma pena.

Nesta toada, vamos levando a vida e transportando estas lamúrias para um país que, de fato, não deveria precisar de um pai ou pais, mas de um líder ou líderes. Artigo escasso, raro, infelizmente inexistente.

Estamos à deriva e ainda discutindo o acessório, e não o principal. O Brasil insiste em não enfrentar seus reais problemas de fato. O diagnóstico falso leva a resultados ínfimos.

As reformas estruturais necessárias não avançam, mas o fundo eleitoral, em complemento ao fundo partidário, torna esta a maior participação no PIB de um país, quando se trata de financiamento público de campanha. Não sei ainda, ao escrever estas linhas, o valor final definido, mas o valor votado pelo Congresso, e o corte sinalizado pelo Presidente, é no mínimo imoral. Novamente, não discuto o mérito do financiamento público de campanha, mas os valores e critérios. Temos que lembrar que ainda faltam vacinas para os eleitores cidadãos.

O Japão, ainda atrasado na vacinação de seu povo, começa as Olímpiadas de Tóquio de 2020 neste 2021, com a discordância de mais de 70% de seu povo, pela 4ª onda do coronavírus no país sede dos jogos. O país do sol nascente tem, aproximadamente, 60% da nossa população, com pouco mais de 15.000 mortes, dados recentes que podem ter pequenas variações. No Brasil, enquanto isso, temos mais de 540.000 mortes e no mundo, mais de 4.000.000, com variações para mais, sem os arredondamentos feitos. Este quadro pode não dizer nada para uns, mas, com certeza, diz muito para outros. E assim vamos vivendo, eles lá indignados, e nós aqui aceitando passivamente nossos números, como se fossem normais.

Neste misto de saudade e tristeza, descobrimos que até para ca*** (para não repetir os termos ofensivos), descobrimos que as palavras ditas não se sustentam de fato.

Que o frio destes dias nos permita aquecer corações e almas, pois, espero que mais tempo juntos em família nos leve a transmitir calor uns aos outros, respeitadas as regras sanitárias. Boa quinzena a todos!

Karim Abud Mauad  

karim.mauad@gmail.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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