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Uberaba, 20 de outubro de 2021 -

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Renato Muniz Barretto de Carvalho

As redes sociais

E se de repente desaparecessem de vez as redes sociais? Assim, num golpe certeiro, sumissem no espaço sideral? Se ficassem só nas nuvens, ou nem isso, e não viessem mais atormentar os seres humanos? Celulares seriam usados principalmente para ligações telefônicas, para indicar ruas, estradas e trilhas, além da previsão do tempo. Mais alguma coisa?

Como você já percebeu, esta não é uma crônica sobre as redes de descansar e de dormir, aquelas redes muito populares no Nordeste do Brasil, que muita gente gosta de pendurar nas varandas, nas casas de praia ou nas tardes quentes do verão. Namorar nelas, então, é muito bom! Não, neste texto falo da Internet, dos aplicativos, de algo que virou a “melhor companhia” das pessoas, ainda mais nesses tempos de tanta solidão. Contraditório, né? Solidão e redes sociais! Tem algo estranho nesse relacionamento! Será estratégia de marketing?

E se essas redes sumissem das nossas vidas? Acabariam as selfies? As máquinas de fotografia voltariam? Falando nisso, você guardou sua máquina ou jogou fora? E o que aconteceria com a política? Será que os políticos dariam conta de fazer campanha sem as redes sociais? Deixe aqui sua opinião, seu comentário.

E as listas telefônicas? Você conheceu uma dessas? Aquelas listas imensas, cheias de nomes, endereços e telefones fixos, as letras bem miudinhas, abreviaturas, papel vagabundo, feitas para durar um ano. Lembra-se delas? Listas de assinantes, listas de endereços, listas comerciais. Certa vez, ouvi contarem de um sujeito que decorou uma lista telefônica inteira. Em algumas casas, existiam móveis especialmente fabricados para guardá-las. Eu tinha vizinhos que vinham em casa somente para consultar esses paquidermes de informação armazenada em suporte físico. Tenho certeza que você entendeu! Seriam reeditadas?

Como se sentiriam os youtubers acostumados à bajulação constante de milhares de seguidores e de fãs? E os influencers, esses profissionais da moda, do riso, da psicologia infantil, do mundo pet e da culinária, envolvidos dia e noite com a produção de conteúdo digital? Vão fazer o quê da vida? Coitados! Eu teria pena deles, e você? E as pessoas que saíram pelo mundo numa kombi, num motorhome, num veleiro, de bicicleta ou a pé, como fariam o registro das suas jornadas? Acabariam as lives? Continuariam mesmo sabendo que não terão mais seus milhares de views e de curtidas?

Será que as pessoas voltariam às varandas? Comprariam uma rede? Sim, aquelas de tecido, boas para ler um bom livro, descansar e meditar. Despencariam as ações das empresas do setor? Será que a economia estaria preparada para um impacto desses? Comecei a ficar preocupado. Você já tinha pensado nisso?

Não espero que as redes sociais desapareçam, foi só um devaneio, uma reflexão, mas certas práticas bem que poderiam ser erradicadas, como as notícias falsas, as bisbilhotices e as mentiras. Em todo caso, tenha sempre um livro à mão!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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