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Uberaba, 22 de outubro de 2020 -

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Renato Muniz Barretto de Carvalho

As máscaras estão caindo

As tendências políticas, comportamentais ou alimentícias são sazonais, vêm e vão; é inevitável. Umas são efêmeras, outras são duradouras. Tendências, de qualquer tipo, surgem, crescem, se espalham e, um dia, acabam. Talvez voltem, talvez desapareçam pra sempre. Vai saber! O pessoal que lida com moda sabe disso. Eles dizem: “o amarelo vai ser a cor da estação”, “as saias vão ficar mais curtas”, etc. Costumam acertar.

Este é o ano das máscaras. Não se discute! Das que subiram e das que estão caindo. As que viraram item indispensável, por causa da pandemia, devem ficar por um bom tempo. Bem verdade que já apareciam, ainda que timidamente, em imagens vindas de países asiáticos. A pandemia popularizou seu uso.

Como acontece com muitas novidades, no começo as pessoas desconfiam. Faz parte do processo, é preciso ver se “pegam” ou se não vai ser apenas onda passageira. Aparecem defensores e detratores. Se existem razões de ordem pública, viram item obrigatório, como os cintos de segurança e os capacetes, para citar dois exemplos do trânsito. Todos obedecem? Não… infelizmente! Por isso, as autoridades recorrem à fiscalização, às multas e assim por diante. No início, surgem os renitentes, os teimosos, os incrédulos, os sabichões, os que questionam sua validade. O debate faz parte, às vezes acirrado, raivoso, carregado de preconceitos ou baseado nas evidências científicas.

No caso das máscaras da pandemia, o pessoal da Saúde diz que elas nos protegem do vírus. Atenção: ninguém prometeu cura, solução definitiva ou milagre, apenas um recurso simples contra a contaminação. Não é questão de escolha individual, de foro íntimo, mas demanda coletiva, pois o uso por um indivíduo significa a proteção de outros. No cipoal das indefinições, da ignorância, dos casos assintomáticos, das subnotificações, usar máscaras pode significar resguardar a vida de todos. Simples assim? Não!

Alguns acham que ser obrigado a usar é uma interferência indevida no direito à individualidade. É estranho, mas muitos defensores do não uso vivem por aí fiscalizando costumes, vestes, leituras e até a anatomia alheia. O que se destaca é a incapacidade social de usar corretamente um adereço tão descomplicado e trivial.

Preocupado com essas coisas, um amigo meu resolveu abrir um cursinho para ensinar as pessoas a usarem máscaras. Do programa constam os seguintes itens: máscaras como proteção; diferentes tipos de máscaras; máscaras não servem para proteger o queixo ou o pescoço; máscara não é babador; máscaras e outras peças íntimas; métodos de limpeza; as máscaras e a arte: fique na moda usando máscaras. Vai ser baratinho, mas ele só atende aos interessados se estiverem com máscaras.

E quanto às máscaras que estão caindo e as que vão cair em breve, perguntei ao meu amigo. Ele disse: “elas vão cair, já caíram pra muita gente, mas, para alguns, está complicado, principalmente para os que não querem ver. Um cursinho não basta.” Então, tá!

 

 

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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