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Uberaba, 22 de outubro de 2020 -

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Renato Muniz Barretto de Carvalho

As perguntas certas

Os seres humanos gostam de fazer perguntas. Desde perguntas simples como “o que tem para o almoço hoje?” até as famosas: “de onde viemos, para onde vamos, quem somos?”. O ser humano é curioso por princípio. Uns são mais, outros menos, mas a evolução dependeu em grande parte das perguntas feitas e das respostas encontradas. Claro que só isso não bastou, foi preciso colocar a mão na massa, tomar atitudes, pôr o pé na estrada e seguir em frente. 

No campo das perguntas, em busca de alguma classificação, existem as que se podem chamar de perguntas inteligentes, as ingênuas, as capciosas, as incômodas, as indecentes — eu adoro essas! —, as indelicadas e por aí afora. Quando eu era criança e começava a perguntar coisas indiscretas para uma tia ela me olhava brava e dizia que não queria saber de “espicula de rodinha.” Não sabia o significado da expressão, sabia que estava bisbilhotando onde não devia e desviava o assunto. Mais tarde, daria um jeito de descobrir o que era isso. Meninos e meninas são perguntadores por essência. Não se pode ter medo de perguntar, afinal, perguntar não ofende, não é? Já ouvi muita gente boa dizer que mais importante do que ter respostas é preciso saber fazer as perguntas certas. Acho que muitos de vocês também já ouviram isso. Não ouviram? Sem medo de fazer perguntas, então! 

Existem perguntas recorrentes, isto é, nunca vão embora: “quer se casar comigo?”, “onde você está?”, “isso são horas?”, “quem foi que quebrou isso?”, “onde deixei as chaves?”, entre outras. Algumas são difíceis de responder, chega a ser constrangedor. 

Adolescentes têm uma brincadeira formidável para seu crescimento emocional. Trata-se de uma relação de perguntas capazes de indicar o caráter, as preocupações e até o futuro de quem responde, mas que, principalmente, expõem sentimentos e interesses. Tipo assim: “qual é seu signo?”, “o que te deixa com raiva?”, “qual a sua maior qualidade e o seu pior defeito?”, “qual é seu esporte favorito?”, “qual é seu filme predileto?”, “o que você mais gosta de comer?”, “quem você levaria para uma ilha deserta?” e, a principal delas: “de quem você gosta?”. Ah, essa é irresistível! Não vale deixar de responder. As perguntas e a brincadeira revelam leituras de mundo e fazem parte do amadurecimento pessoal. Você já brincou disso? 

Algumas relações incluem esta: “qual livro marcou sua vida?” Já vi muita gente pular a pergunta. Simplesmente porque não leu, não se lembrou do que leu, não soube responder. Para mim, é uma das perguntas mais reveladoras, desde que bem interpretada, tanto é que os adultos continuam fazendo a pergunta ao longo da vida. Você já pensou nisso? Já te fizeram essa pergunta? Você respondeu ou pulou? Não vamos deixar para mais tarde, diga logo: qual livro marcou sua vida?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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