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Uberaba, 23 de outubro de 2020 -

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Renato Muniz Barretto de Carvalho

Novo normal ou fim do mundo?

Sem muito que fazer durante a quarentena, resolvi imaginar, por sugestão de gente que também não tem o que fazer, como será o mundo pós-pandemia. A primeira questão importante é saber se isso vai passar, se inventarão vacina ou se teremos de nos mudar de planeta. Essa última alternativa, em todos os sentidos, é meio sem pé nem cabeça e, pra começo de conversa, a pandemia tem mais a ver com os humanos, sua economia e idiossincrasias, do que com o planeta em si. Melhor seria colocar bichos e plantas num foguete e salvá-los, pois eles não têm culpa do que está acontecendo.

Tentar adivinhar como será o mundo pós-pandemia é mero exercício de futurologia. Provavelmente, nada do que eu vou “imaginar” vai, de fato, acontecer. Por dois motivos: sou péssimo em prognósticos e o mundo costuma dar rasteiras tremendas nos que ousam fazer previsões, como é o caso dos economistas, das cartomantes e dos livros de autoajuda (sem preconceito).

Vou começar pelo que me incomoda mais: segundo especialistas, será o fim do livro de papel. Acabou! Desista! Se você tinha pretensões nessa área, tire o cavalinho da chuva. Livro agora, se é que vão continuar a existir, só em meio digital. Dizem que é pra salvar as árvores e também porque não haverá mais espaço nem tempo para cuidar deles, das estantes, das bibliotecas reais e dos leitores apaixonados. Vamos em frente!

Falando em árvores, elas também vão desaparecer. Melhor dizendo, serão substituídas por árvores de plástico. É claro que a diversidade vai diminuir muito, mas já estão pensando em criar objetos vegetais plastificados — o novo nome delas —, adaptados aos biomas. Árvores, como se sabe, servem para abrigar bandidos, deixar folhas caírem, sujarem quintais e atrapalharem os pastos e grandes lavouras de soja. Fora com elas! Cortem! Como não teremos livros, pouco importam as árvores. Se alguém aqui estiver preocupado com os passarinhos, compre mais gaiolas.

Prevê-se o fim dos grandes eventos musicais, principalmente shows de rock. Pra quê juntar bandas de cabeludos que não tomam banho em eventos aonde o pessoal só vai pra dançar e escutar música? Qual é o sentido? Quem quiser escutar música, faça isso em casa. Daqui pra frente, só lives, nada de congestionamentos, filas pra comprar ingresso e outras perturbações da ordem.

Moralistas de plantão devem aproveitar e decretar o fim definitivo do teatro, das apresentações teatrais. Teatro é coisa do passado. Quem vai ao teatro costuma pensar e isso está ficando fora de moda. A onda agora é a estupidez, a ignorância — dá mais trabalho, mas não vamos perder tempo explicando essas coisas!

Acho que só não será o fim das baratas. Já li em algum lugar, talvez num velho almanaque da minha avó, que as baratas sobreviveriam até a uma hecatombe nuclear. Então, azar de quem tem medo de barata!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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