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Uberaba, 20 de outubro de 2019 -

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Renato Muniz Barretto de Carvalho

Uma proposta ousada

Tenho uma proposta! É o seguinte: quando a chuva começar a cair, todos devem parar o que estão fazendo, menos a chuva, é claro! E, enquanto estiver chovendo, ninguém faz nada. Vão descansar, vão ler um livro, uma revista, um jornal, ouvir música, tirar um cochilo, sei lá! Mas, de preferência, não liguem a TV nem peguem o celular, tá! Vão conversar com alguém, tomem um cafezinho, comam uma torta, podem falar mal da vida alheia, criticar o governo, reclamar do patrão... Inventem uma desculpa qualquer!

Creio que conseguiremos evitar muitos problemas se minha proposta for aceita. Talvez eu faça um abaixo-assinado ou uma campanha de financiamento coletivo para conseguir apoio. Posso até ir à Câmara para tentar angariar uns votinhos. Vou ver se consigo convencer algum lobista. Vou escrever um artigo, dar uns telefonemas, mandar e-mails e passar umas mensagens no zap. Nada de fake news! É tudo verdade, tudo comprovado!

Nada contra a chuva! Pelo contrário! A chuva é útil, é bonita, é gostosa, é cheirosa... Chuva é tudo de bom! Mas molha a gente e tem uns detratores por aí que a acusam de causar acidentes nas rodovias, de causar desbarrancamentos nos morros e inundar avenidas, arrastar carros, invadir casas, um tremendo de um estrupício. Dona Maricota, por exemplo, a minha vizinha, quando ela sai pra comprar pó de café na mercearia, esquece a roupa no varal. Trabalho perdido! Estão quase secas, as toalhas estão esvoaçando, vem a chuva e molha tudo. Bem, isso é outro assunto, vamos voltar à proposta.

Num dia comum da semana, uma terça ou uma quarta-feira, pouco importa, as pessoas saem para trabalhar de manhã cedo, cumprem suas obrigações e vão almoçar, aí, começa a chover. O que as pessoas fazem? Saem correndo, perdem o guarda-chuva, se estressam, o trânsito vira uma bagunça, não tem lugar para estacionar... Não sei se acontece com vocês, mas se tem uma coisa que me deixa chateado é molhar a barra da calça. Uma tristeza! A Isabela, minha sobrinha, reclama dos cabelos. Diz que a umidade arruína seus cabelos lisos. Pior é quando passa um carro correndo, espirra água e te molha todo! Dá vontade de excomungar o motorista até a quinta geração e ir embora pra casa! Pois é! 

Uma chuvinha fraca já traz aquela desconfiança: vai aumentar ou vai passar? Devíamos parar tudo e ficar quietos! É nessas horas, quando o céu escurece de repente, quando venta forte, as folhas caem, os passarinhos voam desesperados e os cachorros atravessam a rua sem olhar para os lados, que devíamos interromper tudo o que estamos fazendo e observar. Sem desânimo! Pra que esquentar a cabeça? O jeito é se abrigar e esperar a chuva. Na dúvida, não saia de casa. Acho que já deu pra entender minha proposta, né?

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