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Uberaba, 21 de outubro de 2019 -

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Renato Muniz Barretto de Carvalho

Que vergonha!

Deve-se caminhar sempre, de preferência para frente. É o que a lógica e o bom senso recomendam. Mas existem os indecisos, os revoltados, os desinformados, os preguiçosos... Por isso que o andamento não é fácil de entender. Não importa, caminhar é preciso! Assim recomendam os poetas, os profissionais da saúde e da política. Qualquer que seja sua opção, as caminhadas são imprescindíveis. 

No universo das caminhadas, distâncias, locais e outros hábitos são muito plurais. Têm aqueles que nem saem de casa para caminhar, pois têm sua própria esteira ou ficam dando voltinhas em torno da mesa. Tem a turma da academia, que não dispensa conforto, segurança e aditivos. Têm aqueles que gostam de caminhar nos parques, nas ruas e nas avenidas largas e arborizadas, quando existem... Sem comentários! Uma turma gosta de acordar cedo e, antes do sol esquentar, já está nas ruas. Muitos caminham no fim da tarde e, acreditem, há os que caminham de madrugada. Por motivos óbvios, não interessa mencionar aqui os que não caminham.

Como se pode observar, o objetivo aqui é a caminhada como possibilidade, pois o caminho se faz ao caminhar. Cora Coralina disse: “O que vale na vida não é o ponto de partida, e sim a caminhada”. O problema é que existe um grande contingente que caminha sem saber aonde vai.     

Muita gente boa escreveu livros, artigos científicos, crônicas e poesias sobre as caminhadas, as corridas e os primeiros passos. Afinal, não se pode esquecer: “Tinha uma pedra no meio do caminho...” Caminhar pode ser algo relativamente fácil, barato e democrático. Trata-se de uma forma simples de exercitar, é bom para se pensar na vida e observar o mundo ao redor. Em algum momento da vida, todo mundo já planejou um trajeto, já fez ou recebeu um convite para caminhar, caminhou chorando, rindo, conversando ou no maior silêncio. Quem nunca deu dois passos além da porta da sala para caminhar que levante a mão!

Tem caminhada de todo tipo. Tem a da turma do boteco, cuja caminhada, quando muito, vai de casa até o bar da esquina. Tem a turma que caminha até o ponto de ônibus, o carro, o sofá... Caminhar não é unanimidade, nem física nem politicamente falando, pois há os que preferem voltar atrás. O pior é que retrocesso é sempre grave, significa doença, prisão de ventre, pobreza de espírito, azia e mal-estar. 

Administradores públicos gostam de estimular as caminhadas. Muitas prefeituras fazem até campanhas publicitárias para convencer os cidadãos de que é preciso caminhar, pedalar, fazer atividades físicas, pagar impostos... Que bom! Incompreensível é quando não cuidam das vias destinadas às caminhadas. Será que estão em conluio com as academias ou com as fábricas de esteiras? Espero que não! Difícil e desestimulante é caminhar em calçadas sujas, em calçadas estreitas, em calçadas irregulares, obstruídas... Que vergonha!

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