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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Louvor de boca própria

Lei que vigora mesmo é a da natureza, a dos homens varia conforme interesse e poder. E as normas já nascem de casa, da imposição dos pais. Decretam sem muita discussão.  Felizmente, geralmente para o bem. Dentre tantas regras, o pai dizia reiteradamente ao filho que não poderia praticar "louvor de boca própria". Tornou-se determinação severa. Herança dos antepassados. Todavia, certa feita, o súdito já ficando grandinho, sem que o pai percebesse, ouviu uma conversa dele entre amigos em que se vangloriava de seus feitos esportivos. Sentiu o próprio "faça o que eu falo mas não faça o que eu faço."  Na primeira oportunidade, o filho abordou o pai sobre aquela atitude, contrária ao ensinamento e ao preceito que era não fazer louvor de boca própria. Pensou que deixaria o pai apertado. O mestre, do alto de sua vivência, não perdeu a compostura, sequer se embaraçou. Astuto, raspou a garganta e retrucou. Pois então acrescente aí na lição: esta regra vigora até os seus cinquenta anos. Após, poderá ser eventualmente violada, porque senão daí jamais terá reconhecimento. Soltou uma risada sagaz e completou. É para resguardar alguma autoestima. O filho, tomado pela surpresa, até pela imediata presença de espírito do pai, esperou que o tempo cuidasse de fazê-lo compreender a essência do preceito ressalvado. Enfim, os novos que reconheçam abominável o louvor de boca própria, mas os que já passaram dos cinquenta, que façam bom uso da permissão excepcional, com o recorrente "já fui bom nisso"! Contudo, é importante não esquecer que a digressão é de uso eventual, sem abusos. Mas que o façam em paz, sem constrangimento, afinal, como visto, é legal!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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