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Uberaba, 17 de maio de 2022 -

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SALVE-SE QUEM PUDER

Alvorada. Frágil, a imagem da lua ainda se reflete no lago com brumas frias. O astro rei vem calmamente surgindo, como todo dia. Lança sobre o mundo seus primeiros raios luminosos, que levam claridade e calor. É o anúncio de um novo dia! Ainda há o frescor da noite. A relva tem em si a umidade do sereno que suavemente caiu pela madrugada. Belas, as árvores e flores compõem o ambiente. A brisa passa numa brandura indescritível, somente compreensível para quem esteja a saborear sua delícia numa alvorada de primavera. Logo surgem os primeiros cantos dos galos, o estalar dos pássaros, a candura da melodia da sabiá, que se destaca quando há uma trégua dos sons alegres de todas as outras aves. Fazem assim a maravilhosa sinfonia de mais um amanhecer, dádiva divina. Na água, refletem-se as elegantes garças. Os patos, gansos, marrecos e afins começam a riscar as águas num movimento delicado e solto. Todos comemoraram o amanhecer. O cão ladra, o gato mira o rato de olhos atentos, observando o milho do paiol. A vaca amamenta a cria como de regra fazem todos os mamíferos com filhotes. Há uma harmonia que nada lembra a cadeia alimentar. Eis que de fato amanhece. O homem abre a porta e surge. Já é o fim da alvorada. Como compreendendo uma senha, o cão subtrai os ovos do ninho da galinha, tal como o gato persegue o rato que corre para furtar do paiol. Depois de ciscar, a galinha toma para si a minhoca que é disputada com outra ave. A garça, com muita avidez, pega no bico um peixe que estava distraído por cima do lago, recebendo o calor do sol. O pavão corteja a perua e seu par não gosta, enquanto o tucano, sem piedade, furta vivo seu alimento no ninho do passarinho. Começa a guerra pela sobrevivência, afinal o homem, maestro, mestre predador, já se levantou. Na luta dos animais, há o limite da necessidade. Na disputa dos homens, todavia, limites não há. Consolo é que sempre há uma alma materna sugerindo ética, tolerância e amor. Mas, no momento, ainda está adormecida. É o mundo. Salve-se quem puder.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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