JM Online

Jornal da Manhã 47 anos

Uberaba, 15 de novembro de 2019 -

BUSCAR EM TODAS AS SEÇÕES BUSCAR
Buscar

Articulistas

Outros Articulistas

Ricardo Cavalcante Motta

Mãe é mãe

Nada se compara ao amor de mãe. Como sinto saudades da minha mãe que há anos se foi. Lembro-me dela, sem figuração, todos os dias. Todos os dias mesmo. Seu colo, seus conselhos, seu sofrimento por mim, seus sonhos que não existiam sem o êxito dos filhos. Ah! seus beijos, suas carícias que desalinhavam cabelos, sua preocupação constante com a saúde dos filhos nos chás e gemadas. As orações! Eram muitas e muitas, para que Deus protegesse seus rebentos. Amor de mãe é algo mesmo excepcional e poderoso. Místico. Seu efeito é uma devoção que pode se tornar até perigosa. É tão naturalmente forte que tem resultado inclusive sobre filhos mal amados, por algumas mães sem coração. Talvez pela inconsciente lembrança do calor do útero estes também se creem amados. Amor de mãe não cobra. Os filhos cobram, os irmãos cobram, os amantes se cobram, os amigos. Todos querem algum benefício em troca, ainda que abstrato, talvez até o pai o queira, mas a mãe que ama não. Somente se doa, de corpo, de alma, de fé. Tem, portanto, um mágico poder extraordinariamente influente sobre os filhos. E se seus pensamentos não forem os melhores, se semear o mal, este enraíza nos sentimentos delirantes dos filhos influenciados. Há uma certa divinização alucinada das mães que, não sendo conscientemente detectada, pode causar estragos, ainda que a pretexto de que elas somente visam o bem aos filhos. É certo que o desejam, mas o propósito almejado pode estar equivocado pela origem da inspiração. Afinal, mães são humanas e naturalmente têm seus conflitos e erros. Nessa ânsia ocorre induzir a caminhos ilícitos. Podem usar dos filhos, manipular para interesses próprios, nem sempre imaculados. Contudo, "mãe é mãe". Seja qual for é amada, acatada compreendida, justificada, com justiça ou não. É em regra tão superior o seu poder sobre o do pai, quem seria o ente mais próximo em comparação, que torna-se até um escárnio qualquer tentativa de oposição. Da minha mãe que acho a melhor, como todos, sinto saudades insuperáveis. Quem puder cuide da sua se estiver ainda por perto. Não deixe apenas para curtir no futuro, numa ilusão insana. Exerça esse amor de fato, não só na adoração abstrata, afinal mãe é pessoa de verdade, humana mesmo, não reclama e é também sedenta de amor palpável além do restrito amor moral.
 
DESENVOLVIDO POR Companhia da Mídia