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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Uma nova comemoração em 15 de outubro

Embora eu experimente uma certa “resistência” às datas comemorativas por pensar que as questões por elas lembradas costumam cair no esquecimento nos demais dias do ano, para mim está sendo novidade saber que o 15 de Outubro está sendo utilizado para dar visibilidade a um tipo específico de perda: Dia Internacional de Sensibilização à Perda Gestacional e Neonatal. 

Traduzindo, chegou a nossa vez de compreender a dor das mães que perdem seus filhos durante a gravidez, em torno do nascimento ou logo após o mesmo. Essa dor até então não era socialmente reconhecida ou autorizada, como dizemos tecnicamente.

Como assim? Quem somos nós para autorizar ou não a dor alheia?

Basta lembrar no que se costuma dizer para as mães nesta situação, por meio de frases do tipo:

- “Deus sabe o que faz, era um anjinho que Ele quis ter perto dele...”

- “Ainda bem que nem chegou a nascer...”; - “Se tivesse nascido e você tivesse chegado a “apanhar amor”, seria pior!”

- “Você é jovem e poderá ter muitos outros filhos.”

Santo Deus, vocês se sentiriam consolados ouvindo esse tipo de coisa? São frases antipáticas num momento em que se precisa de muita empatia, porque um filho é amado desde antes da concepção, quando ainda é apenas um projeto. Uma vez concebido, o bebê já faz parte emocionalmente da família e, mesmo que venha a óbito, independentemente da idade, será para sempre lembrado.

Uma mãe enlutada, por ocasião da perda, se sente punida por um Deus que leva o seu amado “anjinho” que ela também queria por perto para usar o enxovalzinho e o quarto preparados, ver crescer, comemorar aniversários, levar à escola, celebrar a formatura, batizar os netos que ele lhe daria...

Você já imaginou o que é voltar para casa sem ter o filho esperado nos braços e amargando a frustração dos projetos que não se cumprirão?

Pois é, querido leitor, da próxima vez que um casal ou uma amiga tiver um aborto ou perder um bebezinho, pense nestes “absurdos” acima mencionados, coloque-se em seu lugar e acolha a sua dor com mais carinho e compreensão e, caso não saiba o que dizer, faça-se presente de uma forma discreta, oferecendo seu abraço prestimoso ainda que silencioso.

Ah, você pode dizer também que não sabe o que dizer... é melhor do que falar algo que, em lugar de ajudar, os faça se sentirem inadequados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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